Boletim Eletrônico



Para quem Mújica e a Frente Ampla governará? PDF Imprimir E-mail
URUGUAI
Escrito por Juan Ranchos, IST - Uruguai   
Qua, 17 de Março de 2010 00:16
Em meio a um multitudinário ato José Mújica assumiu. Este será o segundo governo da Frente Ampla (FA). Mújica foi integrante do Movimento de Libertação Nacional Tupamaros (MLN-T), preso político durante a ditadura, e um dos fundadores do Movimento de Participação Popular (MPP) quando as liberdades democráticas foram recuperadas. Sua figura, forma de vestir e de falar, ganhou simpatia entre os trabalhadores, estudantes e aposentados, que votaram nele como muitos disseram: “para que Luís Alberto Lacalle - um velho representante da oligarquia e da banca uruguaia, dirigente do Partido Nacional (PN) - não ganhasse”.
 
Mas não só as classes mais baixas e os trabalhadores apoiaram o “Pepe”, as classes altas, os acomodados e ricos do país e do exterior, um setor deles, deu seu apoio a José Mújica. López Mena, um empresário milionário argentino, dono de Buquebus, abaixou o preço das passagens para que os uruguaios residentes na Argentina viessem votar, e depois da vitória organizou uma reunião com mais de mil e duzentos empresários nacionais e estrangeiros, no Hotel Conrad de Punta del Este, onde Mújica assegurou aos patrões: que aqui “não vamos expropriar, nem tirar a pele com impostos”.
 
O dono da Fripur, um dos patrões mais duros e repressores, principalmente com as trabalhadoras que são maioria na fábrica industrial de processamento de pesca, emprestou a Mújica seu avião pessoal e mandou confeccionar e pagou a faixa presidencial bordada com fios de ouro. Em sua posse esteve presente pela primeira vez no Uruguai a secretária de Estado do imperialismo, Hillary Clinton.
 
Esta relação boa com a patronal forjou como havia prometido na campanha, a integração de Brancos e Colorados no governo, e ainda que não tenham chegado a ocupar postos ministeriais, Mújica, buscará ser um governo de “unidade nacional” em temas chaves como: políticas comuns, educação, segurança, energia e meio ambiente, às quais foram batizadas com o lindo nome, de políticas de Estado.
 
Como dissemos antes da eleição do ano passado, o povo queria rechaçar e botar pra fora com seu voto os dirigentes e partidos da grande patronal e do imperialismo, mas lamentavelmente os dirigentes da FA hoje, lhes distribuem cargos de governo.
 
Em seu discurso de 1º de março, Mújica falou-nos das “políticas rebaixadas que trarão inclusive problemas em nossas bases”… “que serão ortodoxos na macroeconomia”… “que as reivindicações sociais são infinitas e os recursos são finitos”… e saudou em seu discurso “os soldados uruguaios que estão no Haiti”… resumindo que seu programa de governo “será mais do mesmo” aludindo às políticas do governo Tabaré Vázquez. Já em seu segundo dia disse que “fechará a entrada no estado” e que os concursos de ingresso que foram realizados “são na grande maioria acomodações”.
 
Mújica e muitos dirigentes que estão hoje no governo, foram parte da guerrilha e da sua direção (MLN-T), que hoje como MPP, fazem parte da FA. Ontem nos diziam que a guerrilha era um atalho para chegar ao socialismo e centenas de honestos lutadores deram suas vidas acreditando nessa única forma de luta. Hoje nos dizem que o socialismo é uma utopia e chamam a conciliar e pactuar com os poderosos. Usam todo seu prestígio e influência para dizer aos trabalhadores que devemos nos unir com os patrões, apesar das diferenças de classe.
 
Afirmam terem se “dado conta” de que o socialismo, “é para um futuro longínquo”, que agora é tempo de que esta sociedade capitalista se desenvolva econômica e culturalmente. Agora propõem a grande utopia, a do equilíbrio entre opressores e oprimidos. Mújica reconheceu ao assumir a presidência, que “um de cada cinco uruguaios são pobres”, ou seja, que depois de cinco anos de governo, há mais de 600 mil uruguaios pobres e mais de 70 mil vivendo na indigência. Quantos governos devem esperar aqueles que passam fome?
 
Os trabalhadores, estudantes e aposentados da frente ampla, realizarão uma nova experiência com o governo de Mújica, com eles estaremos juntos, nos uniremos nas inevitáveis lutas que deveremos travar para defender nossos direitos como trabalhadores, como a estabilidade no emprego, salário digno, a luta pela moradia, educação e lazer.
 
A partir disso continuaremos insistindo que qualquer conquista dentro deste sistema capitalista será efêmera, que é uma velha mentira de que devemos tornar mais ricos os ricos, para depois poder lutar pelo socialismo. Hoje como nos dizem muitos companheiros, não há ferramenta política visível que proponha esta tarefa e, alguns se resignam dizendo que “isto é o que se pode e o que existe.”
 
No I.S.T. afirmamos, que o socialismo é possível e, além disso, a única saída para nossos sofrimentos e misérias. Que o socialismo com democracia operária, só será realidade com a luta e a mobilização dos trabalhadores; e para isso, é necessário a construção de uma nova ferramenta política, com independência de classe, um novo partido operário revolucionário. Para esta grande tarefa, é que convocamos você e nos colocamos a sua disposição.
 
IST – Esquerda Socialista dos Trabalhadores, 03/03/2010
Publicação: Rebelión
 

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