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Cresce a fome no mundo PDF Imprimir E-mail
URUGUAI
Escrito por Aksel   
Sex, 11 de Junho de 2010 19:35
 
"Mais de 1 bilhão de pessoas padecem fome no mundo devido à crise econômica e ao aumento dos preços dos alimentos nos últimos três anos", declarou, no dia 29 de abril, o diretor-geral da Organização da ONU para a Agricultura e a Alimentação, Jacques Diouf. Esta cifra nos mostra que uma em cada seis pessoas padece fome no planeta.
 
Aqui no Uruguai, Mujica reconheceu que "um em cada cinco uruguaios é pobre" – mais de 600 mil pessoas – e a ministra de Desenvolvimento Social, Ana Vignoli, disse que há 160 mil famílias vivendo na indigência.
 
Novamente, os capitalistas que geraram a crise a descarregam sobre os trabalhadores e os setores populares da sociedade, fazendo-nos perder o trabalho, rebaixando nossos salários e atacando todas as conquistas da nossa luta.
 
No Uruguai, o desemprego cresceu no início do ano de 6,3% para 7,5%, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), revelando que, se a crise não atingiu nosso país tão fortemente até o momento, teve suas repercussões.
 
As políticas neoliberais dos governos mundo afora expõem seu resultado: mais aumento da pobreza, da indigência, do desemprego, ou seja, um aumento da miséria em âmbito mundial.
 
Todos os governos nos falam sempre de seus "feitos", do quanto reduziram a pobreza e o desemprego e o quanto aumentaram os salários. A realidade, independentemente do que dizem os governantes, é que há cada vez mais pobres e é cada vez maior o fosso que separa ricos e pobres, como confirmam as estatísticas de estudos internacionais, que contradizem as afirmações de governantes de todos os países.
 
No Uruguai, o turismo no ano de 2009 gerou 1,3 bilhão de dólares e o PIB (a "riqueza do país") cresceu 2,9%, segundo o ex-ministro Álvaro García. As exportações cresceram 5,9% no primeiro trimestre de 2010 e, segundo especialistas do Banco Central, está previsto para este ano um crescimento entre 4,2% a 4,6% do PIB. “O PIB crescerá mais que o esperado”, tinha declarado o vice-presidente Danilo Astori.
 
Entretanto, o salário real caiu 0,28% no mês de fevereiro com relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o INE. No mês de março, a queda dos salários reais foi de 0,65% devido ao aumento de quase um ponto na inflação mensal.
 
Como sempre, o "crescimento do bolo" não beneficia nunca os trabalhadores. Os empresários levam a maior parte, enquanto a maioria dos ordenados não chega a cobrir nem sequer a metade da cesta básica e são pagos salários miseráveis de 5.000 a 8.000 pesos, com aumentos insignificantes de 2%.
 
Nós, trabalhadores, só conhecemos o crescimento do país pela televisão ou pelos jornais, nunca o percebemos realmente em nossos bolsos, nem em nossas condições de vida.
 
Quadro N º 1
 
Participação da massa salarial no Ingresso Bruto Nacional Disponível (YBND) e no PIB. Em milhões de pesos correntes e em %
 
Ano      Massa salarial   YBND              PIB       Salarial/YNBD   Massa Sal./PIB Diferença  
                                                                                  (%)       (%)                   (%)
1998     68.961              231.716            234.716            29,8      29,4                 0,3
1999     73.299              234.727            237.143            31,2      30,9                 0,3
2000     75.247              240.253            243.027            31,3      31,0                 0,4
2001     59.460              242.762            247.211            24,5      24,1                 0,4
2002     55.910              260.132            260.967            21,5      21,4                 0,1
2003     56.223              303.660            315.678            18,5      17,8                 0,7
2004     63.939              365.596            379.353            17,5      16,9                 0,6
2005     83.375              397.220            406.705            21,0      20,5                 0,5
2006     95.395              456.021            464.802            20,9      20,5                 0,4
2007     112.910            531.874            542.115            21,2      20,8                 0,4
 
Fonte: Jorge Notaro nos Resultados Econômicos 2005-2006. Balanço e Perspectivas.
Instituto de Economia DT 05/07, pág. 23, Massa salarial. BCU.
 
YBND e PIB Estimado: 8,8% Preços Implícitos do PBI, 7,2% aumento real. Supõe-se igual aumento para o YBND.
 
Massa salarial: aumenta pela variação do Índice Médio de Salários de 12,94% mais um aumento na ocupação estimada em 4,8%
 
Neste quadro, elaborado pela Rede de Economistas de Esquerda, o PIB era de 234 bilhões de pesos em 1998, dos quais 29,8% correspondiam a salários, enquanto em 2007, quando o PIB dobrou, chegando a 542 bilhões de pesos, os salários respondiam por apenas 21,2%. Logo, não tem havido para os trabalhadores uma verdadeira recuperação salarial, muito menos uma redistribuição da riqueza. O país e os capitalistas são mais ricos, mas os salários, na repartição do “bolo”, são mais baixos.
 
Para reverter esta situação de salários baixos e pobreza, é necessário romper com as políticas privatizantes aplicadas há anos em nosso país pelos Blancos, pelos Colorados[1] e, agora, pela Frente Ampla. Nos últimos dias, o atual ministro da Economia, Fernando Lorenzo, solicitou 700 milhões de dólares ao Banco Mundial, tornando cada vez mais dependente e limitada nossa economia.
 
Para acabar com isso, é necessário exigir e mobilizar-se pelo não-pagamento da dívida externa e destinação do dinheiro a investimentos sociais, salários e medidas em benefício dos setores populares, e não em benefício dos patrões, sejam estes nacionais ou estrangeiros que saqueiam nossas riquezas.
 
Hoje, a direção majoritária do PIT-CNT[2] concilia com o governo e não unifica as lutas. São centenas os trabalhadores lutando por salários e para manter a fonte de trabalho, mas de forma dispersa e atomizada. Denunciamos estes dirigentes que não dizem a verdade aos trabalhadores e negociam à nossa revelia com o governo, levando as lutas, com o isolamento, à derrota.
 
Devemos exigir da direção do PIT-CNT que rompa a conciliação e convoque uma greve geral que unifique as lutas. Mas não podemos ficar só nisso, os trabalhadores devem se organizar pela base, escolher novos delegados que estejam dispostos a lutar e a resolver tudo em assembleias, aplicando a democracia operária. Basta de dirigentes que decidem e negociam “por cima”. Por um plano de luta único, que exija um salário mínimo equivalente a meia cesta básica para trabalhadores dos setores público e privado, que rejeite esta reforma do Estado, que exija um plano de obras públicas, o não-pagamento da dívida externa e o cancelamento da lei de anistia para julgamento e punição de civis, militares golpistas e torturadores da ditadura.
 
Fonte: Esquerda Socialista dos Trabalhadores
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Notas:
[1] Blancos e Colorados são partidos da burguesia uruguaia.
[2] PIT-CNT: Plenário Intersindical e Convenção Nacional dos Trabalhadores, maior central sindical do Uruguai.
 
Tradução: Helton Ribeiro

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