| O desemprego chegou para ficar |
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| OPINIÃO |
| Escrito por Alejandro Iturbe |
| Seg, 23 de Agosto de 2010 11:25 |
Os dados sobre a marcha da economia mundial durante o segundo trimestre de 2010 são contraditórios, especialmente nos principais países imperialistas.
Por um lado, segundo dados de Eurostat, o PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro (os 16 países que adotaram o euro como moeda) registrou um crescimento de 1% com relação ao trimestre anterior. Uma cifra claramente superior a 0,2% do trimestre anterior e acima de 0,6% prognosticado pelos analistas. A principal propulsora desta melhora foi a economia alemã, que cresceu 2,2%.
Por outro lado, parece refrear-se a recuperação evidenciada pelas economias norte-americana (cresceu 0,6% frente a 0,9% do trimestre anterior) e japonesa (aumentou mal 0,1% frente a 1,1% registrado entre janeiro e março).
Considerados em conjunto, estes dados mostram a fragilidade da “recuperação” que se seguiu à fase mais negativa da crise econômica mundial (quarto trimestre de 2008 e primeiro de 2009) e que esta frágil recuperação se sustenta muito mais na ação dos governos e nos seus incentivos a bancos e empresas do que nos investimentos privados. Por isso, apesar do pequeno aumento do ritmo de crescimento na Europa, a produção industrial caiu 0,6% na própria Alemanha e na França, 1,4%.
No caso europeu, pesam muito as batalhas não resolvidas contra a classe trabalhadora na aplicação dos duríssimos planos de ajuste elaborados pela maioria dos governos.
Na medida em que essas batalhas não se definam a seu favor, o que se expressa no aumento das crises políticas de muitos desses governos (como a recente fratura que sofreu o de Berlusconi na Itália), a “confiança investidora” dessas burguesias segue baixa. Por exemplo, um estudo publicado pelo diário italiano Il Sole 24 (1/07/2010) mostra que o investimento privado no país teve uma queda de 12,1% em 2009 e que a queda do investimento industrial foi ainda maior: 14,9%. Mas, inclusive nos EUA, discute-se a possibilidade de uma nova recessão. O que indica claramente que o efeito da crise econômica internacional está longe acabar.
A rigidez do desemprego
Junto a estes dados da dinâmica dos PIBs, há outro que demonstra mais uma tendência clara: os altos índices de desemprego se mantêm estáveis e, inclusive, crescem em alguns países imperialistas.
Nos EUA, depois de uma levíssima baixa no primeiro trimestre de 2010, a taxa de desemprego se mantém cravada em 9,5%. Na União Europeia, estabilizou-se em 10%, com países como a Espanha, que alcança quase 20%, e Letônia, 22,8%. Em âmbito mundial, os mais afetados são os jovens, cuja taxa de desemprego chegou, em 2009, a 13% (81 milhões de pessoas, quase mais 8 milhões que em 2007).
Isto é, a frágil “recuperação” atual não gera novos empregos que substituam aqueles que foram destruídos durante o primeiro período da crise, nem, menos ainda, que possam absorver os novos contingentes de jovens que entram no mercado de trabalho.
A explicação é a lógica de ferro do capitalismo: na base de suas crises econômicas está a queda da taxa de lucro (relação entre o ganho obtido e o capital investido). Junto com o desinvestimento produtivo provocado por esta queda, as crises são aproveitadas pelos capitalistas para tentar recuperar sua taxa de lucro. Um mecanismo básico é o aumento da exploração dos trabalhadores, reduzindo o número de postos de trabalho e obrigando os que mantêm o emprego a produzir mais e aumentar a mais-valia extraída. Isto é, o desemprego é, por um lado, produto da própria crise, mas, ao mesmo tempo, é um requisito para que os capitalistas saiam dela, às custas da fome e da miséria dos trabalhadores.
Não é casual que o FMI assinale, em um relatório de fins do ano passado, quando já se tinha iniciado uma frágil recuperação, que seriam necessários não menos de cinco anos, a esse ritmo de crescimento, para recuperar o mesmo nível de emprego de 2007.
Em outras palavras, submissa à dinâmica pura da economia capitalista, os altos índices de desemprego chegaram para ficar e serão uma característica presente da realidade econômica mundial durante os próximos anos, mesmo mantendo-se uma dinâmica de recuperação.
A conclusão é que a batalha por emprego não pode esperar soluções, como dizem os capitalistas e seus governos, que “melhorem as coisas para todos”. Ela deverá ser enfrentada com a duríssima luta dos trabalhadores contra os patrões e seus governos, exigindo medidas como a redução da jornada de trabalho sem redução de salários ou o investimento em grandes planos de obras públicas. E só poderá ser resolvida como problema de fundo por meio de uma mudança socioeconômico estrutural da raiz da economia capitalista (a busca do lucro empresarial) e sua substituição por uma sociedade socialista.
Tradução: Helton Ribeiro |
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