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O governo russo se prepara para enviar tropas ao Afeganistão! PDF Imprimir E-mail
RÚSSIA
Escrito por POI   
Ter, 23 de Novembro de 2010 14:52

Ajudando o abastecimento do exército da OTAN no Afeganistão, Putin e Medvedev têm transformado a Rússia em cúmplice dos crimes de guerra dos EUA e da OTAN. O governo está preparando envio de tropas russas ao Afeganistão sob o pretexto de "guerra contra a heroína".

A tentativa dos EUA de por sob controle os povos do Oriente Médio não se têm concretizado. As tropas de ocupação têm se atolado porque não possuem a força necessária para vencer a resistência dos povos do Iraque e Afeganistão e a guerra de guerrilhas atual.

Os planos pensados para o Oriente Médio se transformam em derrota permanente para os imperialistas. O fluxo de caixões do Afeganistão e Iraque para os EUA e Europa também significa gastos de guerra e os benefícios sociais têm sido reduzidos em seus respectivos países.

A maior parte da população dos estados agressores é contra essas guerras. As guerras iraquiana e afegã são um tiro pela culatra. Um tiro que tem ferido os governos, os quais têm também perdido a confiança da população. Governos dos países imperialistas (como Espanha) foram obrigados a retirar o exército do Iraque. O mundo se encontrava sob o limite de uma grande derrota histórica do imperialismo, muito maior do que a derrota do Vietnã.

Se, de fato, é evidente que conseguir uma vitória nessas guerras é impossível, isso é entendido pelos governos e generais, mas o principal é que os países agressores se encontram em um dilema: a continuação da guerra é impossível, já que conduz a novas derrotas, à queda de popularidade dos governos e ao aumento dos gastos financeiros, mas pior seria o retorno das tropas, porque significaria uma derrota completa, um fracasso da política de longo prazo e perda de prestígio.

Em relação a isto, a OTAN tem aceito duas táticas básicas. Em primeiro lugar, começam as negociações com a direção da resistência para que a mesa de negociação consiga o que não se conseguiu alcançar na guerra. Nessa tática, a guerra joga um papel auxiliar como fator de pressão. Em segundo lugar, arrastar essa guerra a outros países que, com suas próprias mãos e seus próprios caixões, possam conseguir os objetivos da OTAN. As tropas da OTAN, que sofrem uma derrota na guerra afegã, têm necessidade urgente de apoio por parte de outros países, que farão o trabalho sujo para o imperialismo em troca de certos “privilégios”. Pontualmente, nesse contexto, é necessário examinar a questão colocada pelo governo russo da criação de um “exército antinarcóticos”.

Faz muito tempo que os EUA querem convencer Putin e Medvedev de ajudar a OTAN com a ocupação do Afeganistão. Hoje, os aviões da OTAN que passam com frequência sobre a Rússia, através do território russo, enviam cargas de apoio às tropas de ocupação do Afeganistão. Helicópteros russos de transporte de carga junto com suas tripulações servem à OTAN.

A Rússia fornece ao governo fantoche afegão de Karzay o armamento e a técnica para a luta contra a resistência antiOTAN. Isto tem se tranformado em um grande favor de Putin e Medvedev aos EUA e seus aliados. A Rússia “ajuda” numa situação em que cresce a resistência à ocupação no Paquistão, ponto principal por onde passa o abastecimento das tropas de ocupação.

No entanto, o governo de Putin e Medvedev não tem resolvido essa questão porque ainda existe uma atitude negativa da população russa em relação ao Afeganistão, que não se esqueceu da derrota das tropas soviéticas naquele país. Esse custo politico é muito sério, ao mesmo tempo perigoso. Enquanto o regime de Putin e Medvedev tinha forças, podia atuar de forma independente e evitar esse tipo de aventureirismo, mas a crise mudou tudo. A economia russa está em declínio, caindo tão rápido que têm demonstrado que é uma das mais débeis do paises dominantes.

A economia do país se encontra em forte dependência de capitais estrangeiros e tecnologia, já que só vende gás e petróleo ao ocidente. Esta dependência econômica e grande debilidade frente à crise obrigam o governo russo a aceitar certas regras e exigências das potências econômicas e uma delas é a ajuda imprescindível ao Afeganistão. Neste momento, quando os aliados dos EUA tentam evitar o pântano iraquiano, a Rússia decidiu ali colocar seus pés. Justificar a presença das tropas no Afeganistão não é fácil, mas já se tem inventada uma desculpa: se os EUA invadiram o Afeganistão na “guerra contra o terrorismo e pela democracia”, a Rússia se intromete com a “intenção” de levar tropas para combater os “grupos armados até os dentes dos perigosíssimos e endomoniados narcotraficantes”. No país, já começou a formação de “tropas especiais antinarcótico”. De fato, o contigente de operações se encontra sob o controle do estado maior e o próprio chefe do estado maior é membro do Comitê Público Antinarcóticos. A “Nezavisimaya Gazeta” de 27 de setembro cita as palavras de um dos oficiais do comando central das Forças Aéreas: "Em caso de tomar a decisão política, a aviação está pronta para declarar a guerra à papoula e às fábricas de produção do ópio e da heroína no Afeganistão, já que houve preparação militar nessa área. Por exemplo, não faz muito tempo, finalizamos exercícios militares conjuntos no Cazaquistão como:”antiterroristas”, “ exercícios de paz em 2010”, nos quais se fez presente o ministro de defesa Serdukov

O governo russo não inventou nada de novo. Justamente sob o pretexto da “luta contra as drogas”, os EUA militarizam a Colômbia e a fronteira com o México. Esse comportamento hipócrita do governo russo significa preparar-se para entrar na guerra do Afeganistão do lado das tropas da OTAN. A “Nezavisimaya Gazeta” de 17 de setembro cita um artigo de I.S. Malevich, analista militar, em que o autor define a substituição das tropas da OTAN como única saída para os EUA. Em um futuro próximo, não será estranha a aparição de uma campanha antinarcóticos para preparar a população para a guerra santa contra as drogas.

Os EUA necessitam de bucha de canhão, mortes que não serão condenadas pela opinião pública com a mesma intensidade como seria condenada pela sociedade norte-americana, mortes que não necessitarão de compensação a preços tão altos para cada família de cada soldado. Putin e Medvedev estão prontos para enviar soldados russos para a morte. Se esse plano dos EUA for levado adiante, amanhã, a cada comunicado de morte no Cáucaso, se agregregarão as tumbas da guerra do Afeganistão. O país pode cair em uma tensão de uma nova guerra, em uma guerra na qualidade de agressor, guarda regional dos EUA e da OTAN. E nós estaremos obrigados a esperar novos atos terroristas em cidades russas e a pagar com nossas próprias vidas pelo crime de nosso governo.

É possível deter esse processo? Sim, é. Só ações daqueles que não necessitam dessa guerra, quer dizer, nós, os trabalhadores e o povo. Como demonstra a prática, enquanto os operários não lutam, o governo vai fazer deles o que bem entender. Hoje, no oeste da Europa, os trabalhadores saem em manifestações contra as politicas de seus governos. Ao leste da Rússia também existem lutas. Na China, estas ameaçam uma das ditaduras mais sangrentas do mundo. No sul da Rússia, no Quirquistão, as massas derrubaram um governo antipopular. E, no Afeganistão, o exército mais potente do mundo se paralisa e não pode fazer mais nada. Os trabalhadores russos têm duas alternativas: receber mais inflação, impunidade policial, a guerra do Cáucaso e uma guerra a mais (Afeganistão) com novas mortes; ou, outra alternativa, começar a se unir contra os patrões e o governo para poder se unir à frente euroasiática de luta.

Não à guerra!
Não ao governo Putin e Medvedev!


Tradução: Guilherme Fonseca



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