
| Fora as mãos imperialistas da Líbia! |
|
|
|
| DECLARAÇÃO LIT-QI |
| Escrito por Secretariado Internacional da LIT (QI) |
| Qua, 02 de Março de 2011 03:49 |
Pelo triunfo da resistência na Líbia, abaixo Kadafi!
Muammar Kadafi está respondendo com a violência militar à insurreição contra sua ditadura de 42 anos. A guerra civil desatada está provocando milhares de vitimas.
Kadafi está usando a artilharia pesada e a aviação contra as cidades das quais perdeu o controle e contra os bairros da capital que ainda estão em suas mãos, mas onde foram realizadas mobilizações contra ele. Kadafi não está usando sua máquina militar só contra as massas que se armaram para derrubá-lo, mas também contra a população desarmada, no melhor estilo de Hitler.
O ditador ameaça várias cidades com bombardeios aéreos caso não mostrem apoio incondicional a ele. Centenas de milhares de tunisianos e trabalhadores imigrantes de outros países estão fugindo do massacre desencadeado pelo ditador. Apesar de sua brutal resposta, a insurreição tomou o controle de grande parte do país e as milícias populares estão se dirigido a Trípoli para expulsar o ditador. Kadafi continua realizando duros contra-ataques. Não há nada definido, mas aparentemente Kadafi está perdendo a guerra.
O imperialismo ficou vários dias em silêncio desde o começo da insurreição. Mas ao ver que Kadafi não conseguiria deter a insurreição, pediu que o ditador não usasse mais a violência e negociasse com a oposição. E só agora, quando vê que a insurreição pode triunfar, está propondo que Kadafi deixe o poder para ser julgado.
A Líbia é um importante exportador de petróleo e gás, principalmente para a Europa e os EUA. Recordemos que o imperialismo, particularmente o europeu, sustentou por anos o regime de Kadafi. O ditador e sua família são parte da burguesia europeia à qual estão unidos por múltiplos negócios. Em todos estes anos ninguém exigiu nenhuma medida de democratização nem que deixasse de reprimir e torturar como estava acostumado.
Ante a força da insurreição, o imperialismo foi obrigado a se diferenciar de Kadafi enquanto tentava encontrar uma solução negociada. No Egito, o imperialismo tem seus colaboradores diretos no exército, que ficou intacto, e está tentando a desmobilizar as massas para manter os pactos que unem o país ao imperialismo e assegurar a existência de Israel.
Ao se encontrar intacta a principal instituição do Estado Burguês (o exército financiado há anos pelos EUA), o imperialismo não propôs nenhuma intervenção armada no Egito. Além disso, o imperialismo encontra no Egito uma oposição ao regime não propõe a destruição desse exército. É o contrário do que está ocorrendo na Líbia.
O exército foi destruído na Líbia. Parte dos soldados e oficiais desertam, passando para o lado da insurreição. Não é uma divisão do exército onde há duas partes intactas. Ao lado de Kadafi, estão principalmente os mercenários estrangeiros com bons salários. A outra está dissolvida e está com os revoltosos. No lado da insurreição, milhares de pessoas tomam as armas do exército, organizando-se para acabar com a ditadura. Os soldados e oficiais unem-se a essas milícias armadas.
Tampouco os políticos, funcionários do governo e diplomatas que romperam com Kadafi dirigem a revolução. Muitos deles levaram toda a vida ao lado do ditador e só o abandonaram quando viram que a brutalidade da resposta de seu chefe não conseguiu acabar com a revolução. Quando aparecem tentando montar um governo provisório, como fez o ex-ministro de Justiça de Kadafi, são imediatamente desautorizados pela resistência.
Eis o verdadeiro problema enfrentado pelo imperialismo: a revolução pode derrubar Kadafi com a destruição do exército e o povo em armas e sem uma clara oposição burguesa pró- imperialista que o substitua. Uma vitória das massas nessa situação põe em perigo todo o controle imperialista da região, sacudida pela revolução árabe. Por isso o imperialismo começou a intervir.
Para ser claro, se realmente o imperialismo desejasse ajudar a resistência, teria entregado armas a eles. Mas o imperialismo quer impedir o triunfo das massas líbias e que controlem o país.
O repúdio internacional ao massacre de Kadafi é utilizado pelo imperialismo para justificar uma intervenção armada. Esta intervenção militar já começou: navios de guerra dos EUA estão ancorados na costa da Líbia. Obama e Clinton estão planejando o fechamento do espaço aéreo do país através da ONU. Isso significa que os aviões da OTAN poderiam entrar na Líbia para destruir sua aviação com o argumento de “proteger” a população civil de bombardeios.
O imperialismo, principalmente os EUA, começou a fazer declarações chamando a comunidade internacional a intervir para evitar um banho de sangue. Também estão agitando o fantasma de que a Al Qaeda possa controlar zonas do país – o mesmo argumento utilizado por Kadafi. Com essas declarações, o imperialismo quer justificar o envio de soldados da ONU para “garantir a paz” e, portanto, para reconstruir o Estado semicolonial ou transformá-lo diretamente em colônia.
Portanto, a ocupação da Líbia não está descartada, principalmente quando agitam a possibilidade de uma longa guerra civil neste país ou que a queda de Kadafi possa levar a um vazio de poder. Caso o imperialismo consiga levar a cabo uma ocupação, a Líbia poderá ser uma nova colônia como o Haiti, controlado por tropas a serviço do imperialismo.
Fidel Castro, Chávez e Daniel Ortega tentam justificar seu apoio a Kadafi afirmando ser uma posição anti-imperialista e que uma invasão do país será contra Kadafi. Mas ocorre justamente o contrário: o imperialismo sustentou Kadafi e se invadir o país será para defender os acordos que firmou com Kadafi para tentar controlar o país. É vergonhosa a posição de dirigentes que querem aparecer como representantes da esquerda, mas defendem um carniceiro que era amigo do imperialismo. O certo é que Kadafi é o Somoza (ditador da Nicarágua derrubado pela revolução sandinista) ou Batista (ditador derrubado pela revolução cubana) da Líbia.
Frente à intervenção militar imperialista na Líbia, devemos saudar a iniciativa da resistência quando deixou claro a não aceitação de nenhum tipo de intervenção. Em Bengasi, quando as declarações de Hilary Clinton foram ouvidas, surgiram grandes cartazes dizendo que não querem a intervenção dos EUA.
Para acabar com Kadafi, o povo líbio pode e deve contar com a ajuda de todo o povo árabe, antes que o imperialismo possa intervir para impedir sua vitória. Há uma grande solidariedade vinda da Tunísia e do Egito. Agora é necessário à insurreição, além de alimentos e medicamentos, também armas e munições para que se organizem milícias armadas árabes, no Egito e na Tunísia, para que combatam junto a seus irmãos líbios.
O triunfo da revolução na Líbia será um grande triunfo da revolução árabe, um triunfo que dará novo impulso às revoluções em curso e seguramente produzirá novas mobilizações em outros países. Por suas características, bem mais profunda ao destruir o exército, a revolução líbia ser a vanguarda do conjunto da revolução árabe, pondo em cheque o controle imperialista da região e principalmente os governos e regimes que tentam estabilizar seus países depois das quedas dos ditadores: Egito e Tunísia.
Os trabalhadores e os povos do mundo devem estar ao lado da revolução na Líbia, contra a ditadura de Kadafi para impedir que o imperialismo invada este país. É necessário desmontar a campanha realizada nos países imperialistas, pela qual se tenta justificar uma intervenção militar, mobilizando contra os governos que preparam os planos de ocupação.
Mobilizemo-nos em todos os países contra os planos imperialistas de derrotar a revolução do povo líbio!
Pelo triunfo da resistência!
Viva a revolução Líbia!
São Paulo, 1º de março de 2011 |
More articles :





















