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Aprofunda-se a dependência PDF Imprimir E-mail
URUGUAI
Escrito por IST- Uruguai   
Ter, 13 de Setembro de 2011 14:19
O Uruguai ocupa no contexto mundial um lugar que nós, os marxistas, denominamos semicolônia. Os países mais ricos e os imperialistas, com suas empresas e multinacionais, vêm saqueando historicamente nossos recursos naturais e mantêm nossa economia atada à dívida externa, ou seja, aos planos do Banco Mundial, do BID e do FMI.
 
Do ponto de vista militar, nosso país integra as tropas da OTAN e participa da ocupação do Haiti, do Congo e de outros países a serviço não dos povos, mas das necessidades imperialistas.
 
Hoje em dia, o processo, iniciado há décadas pelos partidos Blanco e Colorado, de entregar nossas riquezas, de desnacionalizar e de primarizar a economia, de se submeter aos mandos dos organismos internacionais, não só não se deteve sob o governo de Frente Ampla, como também se aprofundou.  As exportações são principalmente: carne, cereais, madeira, celulose, animais vivos, lacticínios; e há uma discussão em curso sobre a extração de minério de ferro, com o projeto Aratirí e a mineração a céu aberto.
 
Todos os produtos que mencionamos e que se encontram atualmente entre os de melhor cotação no âmbito mundial são matérias-primas, com pouco ou nenhum trabalho agregado de industrialização em nosso país. Para dar um exemplo, quanto mais se vende gado em pé (bovinos vivos) ao estrangeiro mais diminui a atividade dos frigoríficos; quando se vendem os couros ao exterior sem trabalhá-los os curtumes deixam de funcionar e, se esses fecham ou exportam toda sua produção de couros, não há uma indústria nacional que faça artigos com eles, como sapatos, carteiras, jaquetas. Os postos de trabalho se reduzem e milhares de trabalhadores vão para o seguro-desemprego.
 
Com este pequeno exemplo, queremos mostrar como um país pode incentivar a industrialização, o que aumenta o trabalho das fábricas; ou pode só vender a matéria-prima, sem trabalho agregado – o que diminui drasticamente a mão-de-obra – e suas matérias-primas serão usadas por outros países que rapidamente nos vendem o que podíamos fabricar, mas não o fazemos. A isto se denomina primarização da economia e nos deixa como país mais vulnerável e dependente. 
 
A desnacionalização
 
Tem se produzido também um aprofundamento da desnacionalização. A saber, cada vez mais empresas estrangeiras e multinacionais estão ficando com nossos recursos naturais e industriais e, por esse meio, apropriando-se ainda mais da gestão de grande parte dos mais importantes recursos econômicos do país.
 
As maiores empresas de arroz do país como, por exemplo, SAMAN, estão sendo compradas pelo grupo brasileiro CAMIL; a cevada e a cerveja estão nas mãos da multinacional Ambev-Inbev, de capitais belga-brasileiros. Os frigoríficos são dirigidos em sua grande maioria pelo grupo Marfrig do Brasil. Além disso, esse grupo é dono dos curtumes Branna e de Zenda, e somam também grandes extensões de terras para a agricultura e para o gado. Os plantadores de soja,instalados em nosso país, respondem a capitais argentinos; a fábrica UPM (ex-BOTNIA) é de capital finlandês; e a multinacional Montes del Plata, que está se instalando em Colônia, é propriedade da empresa sueco-finlandesa Stora Enso e da chilena Arauco; esses são uns poucos exemplos das mudanças profundas que estão se produzindo na economia de nosso país, sob o governo da Frente Ampla com sua política de aprofundamento da miséria do povo e de entrega de nossa soberania.
 
O desembarque de Aratirí
 
O projeto Aratirí de mineração a céu aberto, da multinacional Zamin Ferrous, para extrair ferro no Uruguai na zona de Valentines (departamento de Treinta e Tres) tornou a colocar em debate não só a desnacionalização e a primarização, mas também os efeitos da mineração a céu aberto no meio-ambiente. É claro que se a extração de ferro for realizada por Aratirí ou qualquer outra empresa privada beneficiará os grandes capitalistas, que terão enormes lucros, levarão nossas matérias-primas e provocarão danos irreparáveis ao meio-ambiente. Aos capitalistas, nacionais ou estrangeiros, só interessa o lucro e continuar com o saque de nossas riquezas.
 
Tem que se deter a mineração a céu aberto
 
A instalação de Aratirí, como uma a mais das tantas multinacionais que não pagam impostos e saqueiam nossos recursos, é estimulada por este governo de Frente Ampla, com apoio importante dos partidos Blanco, Colorado e do partido Independiente. Para conseguir que a multinacional seja expulsa e suas propriedades estatizadas, necessitamos um grande movimento, uma unidade de ação que agrupe todos aqueles que se opõem a Aratirí, ao saque de nossas riquezas e à destruição do meio-ambiente.
 
A central operária, o PIT-CNT, que, em breve, realizará seu Congresso, deveria não só fazer declarações meramente retóricas contra as multinacionais e a desnacionalização, mas principalmenteromper a conciliação com o governo e preparar uma grande luta, que fosse decidida nas fábricas, escritórios, escolas, faculdades, universidades e bairros populares, para que os trabalhadores organizados estejam à testa desta grande batalha.
 
O governo, como a multinacional, quer dividir a população. A empresa Aratirí já ameaça com o corte nos postos de trabalho existentes. Portanto, a luta pela expulsão da Aratirí deve estar unida à exigência de passagem imediata de seus trabalhadores ao Estado.
 
Fonte: Jornal Rebelión no. 14, setembro/outubro de 2011, publicação da IST (Izquierda Socialista de los Trabajadores) .
 
Tradução: Suely Corvacho
 

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