Boletim Eletrônico



X Congresso - A LIT-QI diante de novos e maiores desafios PDF Imprimir E-mail
MUNDO
Escrito por Alejandro Iturbe   
Ter, 06 de Dezembro de 2011 19:13

Entre os dias 30 de outubro e 5 de novembro de 2011 realizou-se, em São Paulo, Brasil, o X Congresso da LIT-QI (Liga Internacional dos Trabalhadores). Foi um congresso intenso e de muito trabalho que mostrou, por um lado, uma LIT viva e em crescimento e, por outro, a preocupação de se orientar para intervir ativamente nos processos vivos da luta de classes que se desenvolvem no mundo, e enfrentar os grandes desafios na imensa tarefa de ajudar a construir uma direção revolucionária internacional.

Neste sentido, marcaram-se também as profundas debilidades que a LIT-QI tem frente a estes desafios e a necessidade de trabalhar arduamente para superá-las.

No primeiro aspecto, o crescimento, participaram quatro novas seções ou organizações que não estavam no IX Congresso (que também já havia mostrado um desenvolvimento importante): o PST de Honduras, Voz dos Trabalhadores dos EUA, o Grupo Socialista Operário do México e a Liga dos Trabalhadores pelo Socialismo (LTS) do Panamá. Em outros países onde já existiam seções, houve processos de fusão com outras organizações que deram origem a novos partidos como é o caso do PSTU da Argentina e da UST de El Salvador. Ao mesmo tempo, se evidenciaram avanços nos processos de intervenção na maioria das organizações nacionais.

Para expressar esta nova realidade, decidiu-se ampliar o critério e o número de delegados representando às seções e organizações simpatizantes. Reuniu-se assim uma ampla camada de quadros, muitos deles jovens, representando uma nova geração de militantes e dirigentes revolucionários. No debate dos pontos políticos, além disso, participou como convidado um representante da organização haitiana Batay Ouvriye (BO).
 
Um giro histórico?

Um dos pontos mais importantes do X Congresso foi a definição de priorizar a Europa e girar os maiores esforços da LIT para a construção e intervenção nesse continente.

Esta definição pode representar uma meta histórica na já longa trajetória de nossa corrente política. Por diversas razões, o morenismo e a LIT-QI sempre teve e tem seu maior peso concentrado na América Latina. Algo que o próprio Moreno via como uma debilidade por não ter uma presença importante no continente e nos países que são o berço do proletariado mundial e cujos trabalhadores possuem a maior tradição histórica de luta. Além deste aspecto, atualmente a Europa é um dos centros da luta de classe mundial.

A LIT-QI já possui hoje uma acumulação de trabalho ali, com organizações pequenas, mas existentes e que estão intervindo sobre esses processos na Espanha, Itália e Portugal, e núcleos menores em outros países. A prioridade e o giro votados, caso tenha resultados positivos, pode marcar um salto qualitativo em nossa construção e no caráter da LIT.

Os principais debates

No segundo aspecto, os debates políticos foram intensos em todos os pontos. Ali se refletiu não só a nova situação da luta de classes mundial, mas também as diferentes experiências e realidades nacionais e/ou regionais. Em todos os pontos houve diferentes formas de entendimento dos novos fatos e discussões, desde aspectos teóricos até os de tática, passando pelas caracterizações. Os debates foram vivos, ao mesmo tempo fortes e fraternais, tal como deve ser em uma Internacional revolucionária regida pelo centralismo democrático onde as diferenças podem e devem se expressar como parte da elaboração coletiva.

Os principais pontos em debate foram:
 
a) Situação mundial
Foi um ponto muito rico. Nele, uma das principais discussões girou em torno do signo (revolucionário ou reacionário) da etapa aberta a partir do fim dos ex-estados operários e a destruição do aparelho central do estalinismo, continuando debates muito importantes para nossas definições políticas realizadas nos fins dos anos 90 e inícios da década de 2000, não só dentro da LIT, mas no conjunto da esquerda mundial. O Congresso resolveu manter a caracterização de que a etapa aberta nos anos 90 é revolucionária, como formulava o documento do pré-congresso. E que, dentro dessa etapa, vivemos hoje uma situação revolucionária pela combinação da crise política do imperialismo por suas derrotas político-militares no Iraque e a quase segura derrota no Afeganistão, a profunda crise econômica aberta em 2007 e os processos da luta de classes, especialmente no norte da África, Oriente Médio e Europa.

b) Europa
Outra polêmica centrou-se na precisão da definição da situação da luta de classes no continente europeu. No debate, expressou-se um acordo geral sobre o fato de que a Europa é, em nossos dias, um dos picos altos da luta de classes mundial e que a situação de conjunto tendia a agudizar-se. Mas existiram visões diferentes sobre os ritmos dos processos, a capacidade da burguesia e dos regimes de enfrentar as lutas e sobre como vai incidir o papel dos aparatos burocráticos e a ausência de uma alternativa de direção revolucionária.
 
c) Norte da África e Oriente Médio
Neste ponto, houve acordo geral sobre que a região vive um processo revolucionário de conjunto e que a derrocada de Kadafi, na Líbia, e a luta contra o regime dos Assad, na Síria, são parte deste processo e não “intervenções” ou “agressões imperialistas” como caracteriza grande parte da esquerda mundial. Nesse marco, realizaram-se vários aportes e precisões ao texto apresentado.

A primeira foi a própria denominação do processo que, até agora, chamávamos “revoluções no mundo árabe” que agora se modificou para “revolução no Norte da África e Oriente Médio” uma vez que, nessas revoluções, existem muitas nacionalidades que não são árabes (como os berberes ou os curdos) que sofrem opressão nacional (ou de outro caráter) sob governos árabes e estão combatendo às ditaduras.

A segunda é relativa à caracterização do peso político das direções burguesas islâmicas nestes processos. O documento apontava que, de conjunto, estavam muito desgastadas perante a vanguarda e as massas. Isto é verdade para uma série delas: existe um desgaste que se acentuou com sua posição contrária (inclusive reprimindo) aos processos revolucionários que as massas protagonizam contra as ditaduras pró-imperialistas que governam a região há décadas. Mas, ao mesmo tempo, existem novas correntes que participam por dentro e disputam a direção de alguns dos processos (Egito, Tunísia, Líbia, Marrocos) e que, inclusive, se fortaleceram a partir das revoluções como ocorreu na Tunísia, onde os islamistas ganharam as eleições.

d) Espanha e Portugal
O ponto “Países” do Congresso centrou-se na discussão política e na construção dos partidos de dois países europeus (Espanha e Portugal), com a consideração que neles a LIT está em condições de propor um salto na sua inserção, a partir das mudanças objetivas e subjetivos.

Sobre a Espanha, partiu-se da análise da situação político-econômica e da luta de classes, e abordou-se a discussão sobre a caracterização e política para os novos setores que surgem como os “indignados” ou “Democracia Real Já”, fundamentais para disputar o processo de reorganização e avançar na conformação de uma alternativa de direção.

Sobre Portugal, também se abordou o caráter da situação política e, a partir dessa definição, como ordenar as consignas dentro do programa a propor às massas. Neste sentido, deu-se outra discussão sobre que localização (na agitação ou na propaganda) deve ter as consignas de poder. Isto é, que papel teriam palavras de ordem como: Por um governo operário e popular. Definiu-se que a situação é pré-revolucionária e que as consignas de poder ainda estão no terreno da propaganda, ainda que sejam muito importantes para ir disputando a vanguarda.

Em ambos os países, o Congresso abordou os desafios da construção partidária a partir das oportunidades que nos apresenta a situação objetiva da luta de classes. Isto se enquadra na campanha especial de apoio a nosso trabalho europeu já votado antes do Congresso.

e) América Latina
Neste ponto houve um consenso muito grande sobre as definições centrais do documento apresentado e discutido no pré-congresso; que a situação revolucionária que viveu o sub-continente na primeira metade da década passada tinha se fechado pela combinação da ação dos governos de frente popular e populistas, e o “respiro econômico” que, no meio da crise mundial,  viveu a região. A situação definiu-se então como “não revolucionária”. O documento foi aprovado com uma série de adendos e atualizações a partir das diferentes intervenções, especialmente no sentido de que um agravamento da crise econômica mundial e seu impacto sobre os países latinoamericanos, o desgaste dos governos e a influência da luta na Europa, no Norte da África e Oriente Médio, especialmente da juventude, poderiam reabrir os processos num futuro próximo. Neste ponto, além disso, refletiu-se de forma muito positiva os esforços sérios e militantes dos partidos de nossa Internacional por inserir-se na classe operária e intervir na luta de classes.
 
f) Frente Única Revolucionária e Luta contra a opressão da mulher
Outros dois pontos em debate foram sobre a táctica da FUR (Frente Única Revolucionária) e sobre a luta contra a opressão das mulheres. Neste último ponto ocorreu uma discussão sobre como intervir melhor para desenvolver o trabalho entre as mulheres no marco das oportunidades que se abrem dentro da situação mundial.
 
As campanhas
No plano da atividade política de agitação e propaganda, votou-se impulsionar três campanhas centrais.

1) A primeira é uma campanha contra o pagamento das dívidas públicas dos Estados, questão candente na Europa, mas presente em todo o planeta, especialmente na América Latina.

2) A segunda, uma campanha de emergência sobre o Haiti e a luta contra a ocupação militar da ONU, a partir do relatório do companheiro de BO sobre a grave situação aberta com a subida do novo governo Martely, o rearmamento dos bandos de duvalieristas-macoutes e o apoio do imperialismo, especialmente dos EUA, aos planos de repressão.

3) No marco de uma ofensiva propagandística e de construção, votou-se a realização de uma campanha internacional pelos 30 anos de fundação da LIT-QI (1982). Esta envolverá todos os partidos, o site, a revista Correio Internacional, a Marxismo Vivo e o arquivo León Trotsky. A campanha se realizará durante todo o ano 2012 e o ato central será realizado em Buenos Aires, em outubro.

Tradução: Érika Andreassy

rssfeed
Email Drucken Favoriten Twitter Facebook Myspace Stumbleupon Digg MR. Wong Technorati aol blogger google reddit YahooWebSzenario