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O crescimento do movimento Ocupar na Califórnia PDF Imprimir E-mail
EUA
Qua, 07 de Dezembro de 2011 08:07

O movimento Ocupar varreu o país no último mês e é uma "injeção na veia" para ativistas que buscam uma alternativa aos cortes no orçamento e à austeridade fiscal. Este verão (agosto a outubro nos EUA) a discussão foi dominada por democratas e republicanos em sua disputa sobre o corte do orçamento federal em US$ 43 bilhões ou em US$ 39 bilhões. A idéia de não realizar cortes ou de cobrar impostos dos ricos e das corporações passou longe destes partidos políticos.

O movimento Ocupar ajudou a mudar a discussão política e lembrou a todos nós que há na verdade duas Américas (1% - 99%), com interesses opostos. Também é um ponto de encontro importante para a revitalização da esquerda e para ressuscitar a luta contra a austeridade tanto no movimento estudantil quanto sindical.

Finalmente, o movimento Ocupar tem sido ferozmente atacado e invadido nesses últimos dois meses. Na Bay Area, o acampamento Ocupar Oakland foi invadido em 25 de outubro e, posteriormente, em 8 de novembro; Ocupar Califórnia foi invadida em 9 de novembro. Ocupar Wall Street foi invadida em 14 de novembro e agora as ocupações na UCLA e UC Davis foram invadidas e os estudantes foram espancados e atingidos com gás pimenta. Em geral, as administrações da cidade e dos campi ordenaram a destruição dos acampamentos e a agressão aos ocupantes e seus aliados.

A mídia destacou os muitos que foram atingidos por balas de borracha, pulverizados com gás lacrimogêneo, ou espancados com cassetetes pela polícia. Essa repressão demonstra que, na verdade, o Estado ou as reitorias não são instituições para os 99%, mas para os interesses dos 1%.

Estes ataques à nossa liberdade de expressão vêm depois de algumas das maiores mobilizações do movimento Ocupar do ano. Primeiro, a "greve geral" de 2 de novembro, que levou mais de 30.000 jovens e trabalhadores às ruas e paralisou a cidade portuária de Oakland. Segundo, o protesto de 9 de novembro de 3000 estudantes e trabalhadores no acampamento da Ocupar Califórnia, e a mobilização de massas em 17 de novembro para fechar a Bolsa de Nova York.

Até agora, a repressão ajudou a galvanizar o movimento (e toda a região da Baía) em defesa de ambas as ocupações. A ação sindical nos portos de Oakland em 02 de novembro e a manifestação estudantil na UC Berkeley de 9 de Novembro (com muitas aulas canceladas) destacam a vontade de uma parte crescente da classe trabalhadora em utilizar ferramentas mais militantes contra a classe capitalista (os 1%): a greve e a paralização dos locais de trabalho e dos campi universitários.

Ocupar Califórnia adota demandas e um chamado para a ação

O movimento Ocupar Califórnia da UC Berkeley deu um enorme passo à frente em 15 de novembro, quando uma Assembléia Geral histórica com mais de 2000 pessoas adotou um conjunto de exigências claras e um chamado para a ação, se as exigências não forem cumpridas:

• Parar os cortes para a educação pública. Reverter os aumentos de matrículas, as demissões e cortes em todos os níveis da educação pública, pelo menos, aos seus níveis de 2009.
• Refinanciamento da educação e serviços públicos através da tributação dos ricos e das corporações.
• Implementar ações afirmativas para impedir a ressegregação no ensino público. Derrubar a proposition 209.
• Respeito à liberdade de expressão e de reunião. Não uso da força contra manifestantes nos locais de estudo.

Com a extensão das ocupações de dias para semanas e agora para meses, a necessidade de exigências claras tornou-se evidente para o movimento de ocupação. É necessário articular o que defendemos, a fim de ter uma chance de sobreviver como força política para além das férias e, mais importante, para durar além das eleições de Novembro de 2012.

Embora a repressão política tenha fornecido um foco de organização para o movimento em defesa dos acampamentos do movimento Ocupar, também teve o efeito de isolar o mesmo de sua base dos 99% e desviar o foco do movimento contra a ganância e excessos dos 1% para a defesa dos acampamentos. Este é um desafio político que não pode ser superado sem que se comece a defender reivindicações concretas. A assembleia do Ocupar Califórnia começou um esforço para sintetizar as palavras de ordem que unifiquem o movimento Ocupar e os setores estudantis e de trabalhadores do setor universitário. Vamos expandir e divulgar isso!

A aprovação de um programa pelo Ocupoar Califórnia mostrou que é possível passar da retórica da afirmação de nossa maioria para tornar-se um espaço aberto para discussões políticas sobre as questões que afetam a classe trabalhadora e as comunidades oprimidas. Demandas que, longe de serem uma limitação para a força política ou para a forma do movimento, ajudam a organizar e a mobilizar nosso movimento em torno de objectivos concretos.

Além disso, como a atenção das pessoas é cada vez mais atraída para as eleições de novembro de 2012, as forças envolvidas nas ocupações ficarão mais vulneráveis ​​à propaganda eleitoral de 2012, a menos que nós comecemos a articular um conjunto de demandas que se tornem o combustível das ocupações e previnam sua cooptação.

Por exemplo, o movimento poderia exigir um aumento na taxa de impostos sobre os 1% mais ricos, defender a nacionalização dos bancos e a desapropriação de casas hipotecadas para mobilizar toda a comunidade, como ocorreu em 2 de novembro e outras ações. Da mesma forma, se o governador Jerry Brown impuser licenças não remuneradas para os trabalhadores da educação pública; os educadores, pais e alunos poderiam ocupar os Conselhos Escolares e exigir que eles não adotem esta medida. Esses tipos de ações ligadas a exigências concretas ajudarão a aprofundar a base do movimento Ocupar entre os trabalhadores e estudantes.

O movimento Ocupar pode se tornar uma força social que pode dar uma expressão concreta à idéia geral de "não vamos pagar por sua crise". Isto pode polarizar e tornar cada vez mais claro os interesses opostos dos 99% e dos 1% e pode pressionar as lideranças sindicais para parar de fazer concessões e de contar com o poder social da grande maioria, os 99%, para revidar os ataques .

Alguns dirão que há um perigo em levantar demandas, porque eles temem que o movimento possa desmobilizar quando forem cumpridas. No entanto, podemos dizer que, se nossas exigências forem atendidas, vamos fazer outras até que todas as nossas necessidades sejam atendidas. Para os socialistas, isto significa continuar esta luta para além da tributação dos ricos ou do fim dos cortes orçamentários, até acabarmos com o sistema que está na raiz de todos esses problemas: o capitalismo.

Organizar uma greve e dia de manifestação no início de 2012

Embora a manifestação de 2 de novembro não tenha atingido o nível de uma Greve Geral organizada pelos trabalhadores em Oakland, o fato de que o termo foi amplamente utilizado pela na mídia e entre os ativistas ajudou a ressuscitar as greves como uma ferramenta viável e necessária para a luta da classe trabalhadora.

Agora, precisamos divulgar e organizar em torno do chamado do Ocupar Califórnia para um dia estadual de ação e de greves n o início de 2012 (possivelmente 1º de fevereiro ou 1º de março). Podemos unir todos os movimentos Ocupar da Califórnia e o setor da Educação pública, que têm sido cada vez mais ativos contra os cortes. Mobilização em torno dessas ações e demandas é uma forma de manter e fortalecer nossas bases de poder - as diversas assembleias do movimento Ocupar (Califórnia, Oakland, São Francisco, etc.) - e formar comitês de base em todas as escolas e locais de trabalho para discutir nossos problemas atuais e demandas e trazê-los para as assembléias gerais do movimento.

Construir uma alternativa política para superar a crise

Isto leva-nos ao segundo desafio que o movimento Ocupar deve enfrentar: o Partido Democrata, as instituições que o apoiam (sindicatos, ONGs, organizações liberais) e o sistema bipartidário de dominação. Embora até hoje o movimento Ocupar seja explícito em não apoiar qualquer candidato nas eleições, é claro que o Partido Democrata e sua ampla rede de apoiadores (grupos como o MoveOn.org e Progressive Democrats of America) veem o movimento Ocupar como uma oportunidade de revitalizar sua base política no período que antecede a eleição de 2012. Políticos do partido Democrata têm sido explícitos na concepção do movimento Ocupar como a versão Democrata do Tea Party (Republicano). Apesar do esforço dos ativistas para manter o Ocupar fora do reino de ambos os partidos políticos, a não ser que o movimento se coloque, tanto no terreno político quanto organizativo, como alternativa aos democratas, ele vai ver suas forças e seu impacto diminuirem com a aproximação da eleição e com o aparecimento da pressão para votar no "mal menor".

O movimento Ocupar pode tentar ignorar as eleições, mas seu público não irá junto. O Ocupar terá de apresentar uma alternativa à eleição deste ano e tomar posições políticas, em oposição aosRepublicanos e Democratas (os partidos dos 1%) se quiser manter uma vida independente durante o próximo ano. Concretamente, isto significa que o Ocupar terá que lidar com a questão da construção de um terceiro partido (um partido dos trabalhadores, dos 99%) nos próximos meses.

A luta do movimento Ocupar não é apenas uma luta econômica pelo aumento da tributação ou do orçamento, é uma luta política para remover os representantes dos 1% do poder e substituí-los pelo controle democrático real dos 99%. Como socialistas, vemos as decisões tomadas pelas Assembléias Gerais dos acampamentos Ocupar de todo o país como muito mais representativas dos reais interesses dos estudantes e trabalhadores do que qualquer governo dos 1%. O movimento Ocupar deve oferecer alternativas não apenas econômicas, mas também políticas à forma como a sociedade é governada. Hoje, a classe dominante detém o vínculo político do sistema e controla o Estado, mas se "Nós somos 99%", por que deveríamos deixar que os 1% controlem nossas vidas e destruam nosso futuro?

Para os socialistas, a promessa do Ocupar vai além das centenas de milhares de pessoas que participaram, ou das centenas de milhões que apoiam sua mensagem de indignação com a injustiça de um sistema que só funciona para os ricos e seus vassalos.

Para os socialistas, o movimento Ocupar fornece a base para a construção de um movimento classista verdadeiramente independente e democrática, um movimento independente do Partido Democrata na decisão de seus objetivos. O próprio fato de que este movimento representa os interesses dos 99% deste país contra os interesses estreitos dos 1% é outra oportunidade de popularizar o simples princípio marxista de que os interesses da classe majoritária (a classe trabalhadora) são fundamentalmente opostos aos interesses da classe minoritária (da classe capitalista).

Em poucas palavras, o movimento Ocupar fornece uma base clara para reviver o marxismo como a base política para milhares de trabalhadores e estudantes em todo o país. A reconstrução de uma forte corrente socialista revolucionária nos Estados Unidos não é apenas boa para o movimento Ocupar, mas essencial para a possibilidade de derrubar o sistema do lucro (capitalismo) e substitui-lo por uma sociedade baseada nas necessidades humanas. 


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