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Não ao saque das mineradoras! PDF Imprimir E-mail
PERU
Escrito por PST - Peru   
Qui, 08 de Dezembro de 2011 09:36

A declaração oficial do presidente Ollanta Humala a Favor da continuidade do projeto mineiro Conga, contra a posição dos povos de Cajamarca, mostra que a “grande transformação” oferecida na campanha eleitoral e na realidade uma grande farsa.

O governo “nacionalista” é outro governo servil as mineradoras e petroleiras, as grandes saqueadores do peru e exploradoras da classe operaria.

Por isso o Partido Socialista dos Trabalhadores (PST) esta fazemos um chamado a juventude, a classe trabalhadora e a população e a todos os que se sentem traídos pelo governo Humala, a apoiar a greve por tempo indeterminado que se iniciou na quinta-feira dia 24 de novembro, convocada pelas organizações populares de Caramarca exigindo o cancelamento imediato do Projeto Conga. O Sr. Humala esta do lado das mineradoras. O povo que deve decidir- como está dito na campanha- “para que o povo decida” e o povo já decidiu: Não a Conga. E mais: Basta do saque das mineradoras e petroleiras! Nacionalização sem indenização, e que essas empresas estejam realmente a serviço de uma grande transformação que o povo exige.

O presidente Humala... sequestrado?

Para muitos é uma incógnita por que o presidente Humala decidiu apoiar a continuidade do Conga. As organizações “de esquerda” aliadas ao governo, como o Partido Comunista (PC) e o Partido Socialista (PS), tem ensaiado uma nova mentira para justificar o aberto compromisso do governo com as multinacionais da mineração: que o presidente esta sob “pressão” das multinacionais e da mídia e até mesmo falam sobre o “seqüestro” do Presidente.

O presidente Humala não foi seqüestrado e nem pressionado pelos empresários para declarar a sua adesão ao projeto Conga e a continuidade do saque do nosso País.

Pelo contrario, com essas declarações o presidente busca responder a lutas dos povos de Ancash, Andahuaylas e Cajamarca, que nas últimas semanas realizaram greves e mobilizações contra a exploração das mineradoras. O povo de Andahuaylas mesmo enfrentando uma dura repressão da Polícia Nacional, obrigou os ministros do Estado a fugir da cidade e a decretar de Lima a paralisação de todas as atividades mineradoras nas Províncias de Chinchero e Andahuaylas. Esta é uma vitoria parcial que abre um perigoso precedente ao governo, enquanto existir iniciativa para lutar contra o Projeto Conga em todo o Peru, esse conflitos latentes ameaçam a atividade mineira e petroleira.

Por isso Humala, que havia selado aliança com as mineradoras durante a negociação do chamado imposto sobre a mineração, e saiu na defesa da Continuidade da Conga e que o governo não aceitaria nenhum “ultimato”.

Sua decisão de dar respaldo ao projeto Conga significa que, frente à realização da greve regional o Ministério do interior enviou um grande contingente policial com a finalidade de “proteger a propriedade privada e pública” em Cajamarcas, isto é: para reprimir a luta do povo, que é justa, tal como em Andahuaylas onde deixaram mais de uma centena de feridos, alguns gravemente.

Investimento, logo Inclusão?

Para justificar sua posição, o presidente Humala, tem simplificado ao máximo seu programa político e esta assegurando que deve garantir a continuidade do investimento e o crescimento econômico para que haja “inclusão social”.

O que o presidente que dizer com isso? Que para que haja inclusão social, Conga e todos os projetos de exploração mineira, petroleira e do gás que saqueiam as riquezas do país devem continuar. Da mesma maneira deve continuar a superexploração da classe operária serviços (precarização, tercerizações, baixos salários etc.), que é de onde vem o lucro das empresas.

É o mesmo discurso de Alan Garcia [Ex-presidente]. Não é por acaso que a declaração do presidente Humala foi celebrada pelos empresários. Mais saque e mais exploração, essa é a “inclusão”. No melhor dos casos, a “inclusão” prometida será aplicada em um punhado de programas sociais, mas o custo será alto: ampliar o saque e a superexploração do país e do meio ambiente, e também do povo pobre que vive da agricultura.

O vergonhoso papel do PC e de Mario Huamán

Nesse contexto ocorreu o XIII Congresso Nacional da CGTP [Principal Central Sindical], sob controle burocrático do PC e de Mario Huamán, que é um fiel aliado do governo de Ollanta Humala.

Diante das declarações do presidente, Mario Huamán e companhia se virão obrigados a se pronunciar. Atuando como conselheiros presidenciais, chamaram o presidente a “ouvir a voz do povo e não somente a dos empresários” e pediram para que o governo “realize um novo estudo sobre o impacto ambiental”. Essa postura é rechaçada pelo povo de Cajamarca que não aceita o projeto mineiro sob nenhuma circunstância. Com essa política de Mario Huamán busca dissimular seu apoio ao governo e sua traição não somente ao povo de Cajamarca, mas a toda a classe trabalhadora que não encontra resposta a sua indignação e seu animo de luta.

Esta claro que os conselhos de Mario Huamán não foram ouvidos e a resposta do presidente foi enviar forças policias para controlar a greve regional. Desmobilizar e isolar as lutas, para que não se unifiquem ou condenar para desgastar as mobilizações, como a dos mineiros de Cerro Verde que já tem mais de 60 dias, é o triste papel do PC, do PS, de Mario Huamán e de todos os que os rodeiam, com o objetivo de acompanhar Humala em seus pactos com os grandes empresários.

Unir as lutas contra o saque aos nossos recursos com as luta dos sindicatos

A tarefa da CGTP hoje é justamente unir as lutas dos sindicatos com as lutas do povo do interior do país para conquistar uma solução imediata as suas reivindicações. Frente à greve regional de Cajamarca, exigimos que se convoque uma assembleia de base da central para decidir medidas de apoio de toda a classe trabalhadora, em unidade com todos os camponeses e com os povos do Peru, pelo triunfo da luta do “não ao Conga” e pela nacionalização de nosso recursos naturais, para que eles sejam colocados a serviço de uma “grande transformação” que o povo peruano reclama.

Somente esta mobilização evitará a ameaça repressiva que cerca o povo irmão de cajamarca. Os setores mais reacionários reclamam que se ponha “ordem” no país. Se nessa disputa triunfarem o governo e os empresários não temos dúvidas que a mesma mão repressiva e reacionária se voltará contra todos que posteriormente lutarem por reivindicações como essa.

Construir um novo partido dos trabalhadores que garanta a continuidade e o triunfo das lutas

Uma vez mais um candidato chegou ao poder oferecendo “mudanças”, para depois abandonar suas promessas e se ajoelhar diante dos grandes saqueadores e exploradores do Peru. Isso frustrou muitos setores populares. E é lamentável que se faça com o descarado apoio de organizações ditas de “esquerda” que nessa nova aventura terminarão por se enterrar politicamente.

O PST não apóia Humala nem quando foi candidato nem como presidente. Em todos os momentos fazemos chamados para se construir uma alternativa política independente, uma alternativa dos trabalhadores e do povo pobre de nosso país. Uma alternativa que se expresse fielmente as posições dos que lutam contra o saque de nossos recursos e contra a superexploração que impera nas fábricas, minas e campos do país.

Agora que o governo tirou a máscara e um setor da “esquerda” se coloca ao seu lado para servir aos grandes empresários, a construção de uma ferramenta politicamente independente da classe trabalhadora se faz muito mais urgente.

Somente uma direção operária independente do governo, que enfrente sua política, que lidere as principais lutas do país na perspectiva de construir um governo dos trabalhadores e da população pobre, pode expressar hoje as necessidades mais urgentes das massas trabalhadoras.

O PST se coloca a serviço dessa necessidade e chama os lutadores e lutadoras da classe operária e do povo, e os que honestamente recorram às bandeiras da esquerda, venham de onde venham, para trabalhar juntos, construindo esse partido classista e revolucionário.

Todo nosso apoio a greve de Cajamarca, contra o saque e a destruição de seus recursos naturais! Nacionalização da mineração e do gás!

Tradução: Carlos Mauricio Trindade

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