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Necessitamos de uma grande luta para deter a contrarreforma do Estado PDF Imprimir E-mail
URUGUAI
Qua, 07 de Março de 2012 23:00

A contra-reforma do Estado, que significa passar para as mãos privadas empresas e serviços públicos, rebaixando de vez os direitos dos servidores públicos, é um velho anseio dos partidos Blanco e Colorado, que durante décadas levaram adiante planos a serviço dos ricos e poderosos, ou seja, dos capitalistas.

Dezenas de milhares de trabalhadores, estudantes, aposentados, há mais de sete anos deixaram de votar nos partidos tradicionais, repudiando esta política, e deram à Frente Ampla o governo nacional. Hoje, no segundo governo, os dirigentes da Frente Ampla ficaram muito longe de seu discurso de esquerda e terminaram levando adiante aquelas medidas liberais que foram impossíveis de aplicar aos Batlle, Lacalle e Sanguinetti (Antigos presidentes).

Hoje o desmantelamento do Estado avança a passos gigantescos, acaba-se de privatizar a AFE (ferrovias), as empresas terceirizadas (privadas) fazem um grande negócio e os trabalhadores perdem a estabilidade no trabalho. Os salários dos terceirizados – que trabalham em piores condições – é com sorte um terço do valor da cesta básica ou menos. Hospitais públicos, ANCAP (Combustíveis), UTE (Energia), ANTEL (Comunicação), OSE (Água e esgoto), Ministérios e INAU (Assistência social), destinam cada vez mais recursos públicos para pagar os empresários privados que enchem seus bolsos. Aquele velho discurso da direita contra os trabalhadores públicos, é usado por este governo de Mujica e alentado por Bordaberry, Larrañaga e seus partidos, que vêem que este rumo é o que eles quiriam impor e não conseguiram.

Certamente a direita critica e exige que estas medidas se aprofundem mais, mas também aplaudem muitas das medidas do governo e participa delas. Um exemplo claro disso, é o recente pacto entre o governo e a oposição na Educação, onde se busca impor um modelo de educação de mercado, e que aos Estados Unidos já interessa “ajudar-nos”. [1]

Por uma nova direção política e sindical

A Frente Ampla que nasceu para milhares como uma esperança de mudança, hoje a história demonstrou que essa frente popular de alianças entre os trabalhadores e a burguesia, não é uma ferramenta para lutar contra os capitalistas e muito menos para brigar pelo socialismo. Essa frente não tem sido capaz de terminar com a impunidade dos golpistas e torturadores, apenas uma dezena de militares estão presos e em uma cela de luxo. Hoje centenas de torturadores e golpistas continuam em liberdade e Mujica insiste com a reconciliação com os assassinos da ditadura.

A necessidade de lutar contra estes planos que vão se aprofundar ante a crise econômica mundial, é um debate que temos que começar a dar nos lugares de trabalho, escolas, faculdades e bairros populares. A maioria da direção do PIT-CNT, atada ao governo, não unifica as lutas e permite que estas medidas avancem. Nós não depositamos nenhuma confiança nestes dirigentes, que demonstraram sua total perda de independência de classe. Exigimos que rompam a conciliação e convoquem uma paralisação geral de 24 horas com mobilização e assembleias de base para debater e votar entre todos os trabalhadores um plano de luta.

Os trabalhadores bancários, os de AFE, a Administração Central, a saúde, o INAU, os setores públicos e os docentes, devem unificar sua luta levantando uma só plataforma que enfrente essas medidas da contra-reforma, e que exija salários que não estejam abaixo do custo médio da cesta básica, evitando que se negocie o estatuto por um miserável “aumento” que com o tempo vamos perder.

Para defender os direitos que nos querem arrebatar, será necessário alentar a conformação de novas agrupações classistas, que impulsionem e levem adiante o que decidam os trabalhadores; para postular-se como alternativa de direção nas futuras lutas que seguramente virão.

O problema de fundo é político. Necessitamos conformar um grande partido de nossa classe, um partido de trabalhadores, socialista e internacionalista, para liquidar este sistema social capitalista, dentro do qual não há saída para os trabalhadores. Nós, desde a Esquerda Socialista dos Trabalhadores, chamamos você para debater, lutar, e ser parte da construção dessa importante ferramenta.



Tradução: Thaís Moreira

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