| Relações Internacionais ou internacionalismo proletário |
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| OPINIÃO |
| Escrito por Luis García – PST/Colômbia |
| Ter, 03 de Abril de 2012 23:27 |
A vida política e social mundial está repleta de muitos eventos internacionais coordenados pela mais ampla gama de organizações. Demonstração de que já é impossível avançar em processos científicos, sociais, culturais ou políticos limitados pelas fronteiras nacionais.
Ninguém pode questionar que a vida da humanidade hoje está intimamente ligada como um todo e os problemas que afetam milhões ultrapassam esta margem estreita. O clima, as epidemias, os processos econômicos, as migrações da população, ultrapassam estes limites. E uma solução de fundo de todos estes problemas, terá de superá-los.
As relações internacionais dos exploradores
Os governos de vários países mantêm "relações internacionais" entre si. Participam de diferentes organismos econômicos ou políticos (ONU, OEA, Mercosul, ALBA, etc.) e fazem conferências e intercâmbios constantemente à procura de benefícios mútuos. Além disso, constantemente ocorrem conflitos agudos, alguns tão profundos que causam guerras com milhares de mortos. Tais acordos, quando ocorrem, são determinados por interesses econômicos mútuos, e os enfrentamentos, pelo controle e domínio sobre as partes do planeta, para benefício dos burgueses e empresários de um determinado país, em detrimento de outros.
O pensamento nacionalista pequeno-burguês determina a essência de sua identidade política na arena mundial por causa de sua nacionalidade, e entende como um mundo ideal de paz e de tranquilidade de todos, os estados nacionais em uma relação em pé de igualdade, respeito mútuo e parcerias saudáveis de colaboração e apoio. Mas seu sonho se transforma em pesadelo: sobre as fronteiras nacionais predominam o interesse econômico do sistema capitalista, que desenvolveu um tipo de sociedade que necessariamente gera relações de exploração, dominação e opressão sobre vastas áreas e populações por parte dos chamados países imperialistas.
Então existiram, e ainda existem, as colônias (territórios economicamente e politicamente controlados totalmente por outro país), as semicolônias (países "independentes", mas economicamente subordinados, e amarrados a outros países por pactos e acordos políticos, como a grande maioria dos países no mundo de hoje na América Latina, África, Ásia e Oceania); e os países imperialistas, que controlam e dominam o mercado mundial e com seu poder militar estão dispostos a garantir seu domínio, quando ele é questionado em suas respectivas áreas de influência.
As relações internacionais dos explorados
Há uma diferença fundamental entre as relações internacionais estabelecidas pelos exploradores (através dos governos dos estados nacionais) e as que os explorados dos diferentes países podem estabelecer. As relações dos exploradores são determinadas por interesses econômicos e de dominação, para os quais a própria defesa do Estado nacional é crucial. Já os explorados de qualquer país são escravizados pela exploração capitalista, tendo somente como "propriedade" sua força de trabalho.
O lema "Proletários do mundo uni-vos", que enfureceu a burguesia mundial há décadas, é a síntese dessa realidade da sociedade capitalista. Apenas os trabalhadores são capazes de unir todo o planeta em um novo tipo de sociedade, completamente diferente da de hoje, que derrube os dois grandes obstáculos para começar a resolver os grandes problemas de toda a humanidade: a propriedade privada dos meios de produção e as fronteiras nacionais que dividem o mundo de acordo com os interesses das diversas burguesias locais, regionais ou mundiais.
A solidariedade é necessária, porém não o suficiente
Viver sob condições de exploração semelhantes faz com que se desenvolva entre os trabalhadores de vários países, quase naturalmente, um sentimento de solidariedade e necessidade de apoio mútuo. Este sentimento expressa, além das fronteiras, o mesmo senso de identidade e solidariedade de classe que pode existir entre trabalhadores de diferentes empresas dentro de um mesmo país, especialmente quando um setor está lutando, se defendendo de seu respectivo patrão. Às vezes eles conseguem desenvolver grandes campanhas de apoio e solidariedade internacionais; também desenvolvem as relações entre os sindicatos de um país com os de outro, laços que não são apenas positivos, mas também absolutamente necessários.
O verdadeiro internacionalismo
O verdadeiro internacionalismo transcende o apoio e a solidariedade entre os trabalhadores do mundo e parte do reconhecimento da igualdade de seus interesses e objetivos. A divisão do mundo em estados nacionais era essencial para que o capitalismo conseguisse se expandir e dominar todo o planeta. A eliminação consciente de tais estados nacionais, acabando com a exploração e dominação de uns sobre outros, terminando com o principal motivo para guerras e conflitos que causaram a desgraça da humanidade durante décadas, só pode ser realizada pelo proletariado vitorioso na grande maioria dos países, unindo forças e formando uma nova estrutura de federação de estados e que povos possam viver juntos em harmonia e em paz no planeta. Mas para avançar no caminho do verdadeiro internacionalismo, é fundamental ter uma organização política internacional que unifique os esforços das organizações políticas revolucionárias internacionalistas nos diferentes países.
O proletariado mundial assumiu esta tarefa há muito tempo. A Primeira Internacional, fundada por Marx e Engels, esteve a serviço disso. Em seguida, esteve a Segunda Internacional, antes de sua traição ao apoiar as burguesias nacionais no começo da Primeira Guerra Mundial. A Terceira Internacional, construída por Lênin e Trotsky no calor da primeira revolução operária vitoriosa no mundo, a Revolução Russa de 1917, cumpriu esse papel até que foi burocratizada e dissolvida pela burocracia dirigida por Stalin. A IV Internacional fundada por Leon Trotsky, perseguida implacavelmente pelo stalinismo mundial, começando com o assassinato do próprio Trotsky, levantou a continuidade dessa tarefa. A Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional, fundada há 30 anos, batalha para a construção desse partido para a luta pelo socialismo em todo o mundo.
Fonte: http:pstcolombia.org
Tradução: Mariana Caetano |
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