| A COB deve convocar uma luta nacional por aumento de salário |
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| BOLÍVIA |
| Escrito por Clara Condori |
| Dom, 08 de Abril de 2012 17:37 |
No dia 28 de fevereiro aconteceu o primeiro Ampliado Nacional da Central Operária Boliviana (Fórum da COB), logo após a realização do XV Congresso. O Ampliado confirmou o que já tinha sido aprovado no congresso: propor para o governo um aumento salarial de acordo com a cesta básica.
Contudo, Evo Morales e os empresários, que firmaram um pacto na reunião da cúpula oficial de Cochabamba, anunciaram que o aumento salarial será de acordo com a inflação “oficial”, e segundo eles a cifra não ultrapassa os 7%. O pacto entre governo e empresários demonstra que Evo governa para empresários e burgueses, razão pela qual fará todo o possível para não conceder o aumento salarial que cubra uma cesta básica mínima.
Evo não cumpriu o “acordo de oito pontos” conquistado pelos trabalhadores com a luta de abril do ano passado. Tampouco cumpriu com o aumento salarial acordado, já que era de 11%, pois desde janeiro seria 10% e o 1% restante seria incorporado no salário a partir de agosto. A luta de 16 dias travada pelos operários no ano passado foi entendida como brincadeira pelo governo, já que nem sequer cumpriu com o acordo feito. Lamentavelmente, pela postura da direção da COB da época, encabeçado por Pedro Montes, o governo não foi obrigado a cumprir o acordo firmado.
Agora as bases devem exigir ao novo executivo Juan Carlos Trujillo, que se efetive a resolução do XV Congresso da COB e do primeiro ampliado nacional, que exige do governo um aumento salarial de acordo com a cesta básica. Por enquanto a COB está apenas anunciando que visitará o palácio do governo para entregar a pauta única nacional dos trabalhadores, que retoma o “acordo de oito pontos”. Entre as propostas estão o aumento salarial, a reativação do aparato produtivo, a eliminação dos decretos 2027 e 2028, a conformação da nova comissão para elaborar a nova Lei do Trabalho e a comissão de reestruturação do Fundo Nacional de Saúde.
Nós, os trabalhadores, estamos conscientes e sentimos em nossos bolsos que a inflação dos alimentos é muito maior do que a cifra que o governo quer fazer que acreditemos. Estamos cada vez mais apertados e para completar esta situação houve aumento na tarifa do transporte. O governo afirma que existe um recorde nas exportações, o que significa que a patronal tem cada vez mais lucros. Recorde nas arrecadações do Estado pelas exportações de petróleo e gás natural e minério no caso de Huanuni, e, portanto, tem que ter dinheiro, também, para aumentar o salário dos trabalhadores.
O novo dirigente da organização matriz dos trabalhadores havia anunciado que “a COB tem que voltar a assumir esse papel importante no país e encabeçar o movimento contestatório, deve recobrar a credibilidade que perdeu. Não podemos continuar sendo parciais com o Governo porque nós trabalhadores não conseguimos nada ainda; já é demais querer comprar a gente com uma sede, um prédio ou uma quadra esportiva”. Assim sendo, o dirigente deve passar dos discursos para os atos. É necessário começar a realizar assembléias nas bases para organizar os trabalhadores em uma luta nacional unificada em defesa do salário de acordo com a cesta básica. É necessário que se efetive a independência política e sindical frente ao governo.
XV Congresso da COB aprova independência frente ao governo e nacionalização das minas
Ao som das dinamites dos mineiros e uma grande marcha, deu-se o início ao XV Congresso ordinário da COB, na segunda-feira do dia 16 de janeiro, na cidade de Tarija.
Ao Congresso chegaram representantes de organizações como os trabalhadores mineiros da Bolívia, trabalhadores municipais, a confederação de aposentados e pensionistas, trabalhadores fabris, trabalhadores petroleiros, professores urbanos e rurais, a confederação sindical única de trabalhadores camponeses da Bolívia (CSUTCB) e a confederação de mulheres camponesas “Bartolina Sisa”, entre outras.
Desde as primeiras horas do Congresso, começaram os problemas com o credenciamento dos participantes, já que isso influenciaria na quantidade de delegados. Teve problemas com o setor dos trabalhadores fabris e com os delegados da CSUTCB, sendo que estes últimos reivindicavam credenciar um número maior de delegados para que a influência do governo no Congresso fosse maior. Isto prejudicou o início dos trabalhos do Congresso.
Contudo, não foi um Congresso de debates intensos e muito menos de grande representação das bases. Os delegados titulares com direito a voz e voto eram cerca de 700. Na maioria dos casos, os delegados eram os próprios dirigentes, o que refletia a ausência de uma verdadeira democracia operária na eleição dos delegados.
Aprovado o documento político apresentado pelos mineiros de Huanuni
Apesar de que o debate político no Congresso deixou muito a desejar, foi aprovado o documento político apresentado pelos mineiros de Huanuni, que anteriormente teve aprovação pelo XXXI Congresso mineiro realizado em 2011. Às vésperas de seu aniversário de 60 anos e depois de 5 anos sem a realização de congressos (o último foi realizado em 2006), o documento aprovado expõe “que a atual ‘nacionalização’ de petróleo e gás natural do governo de Evo Morales foi uma simples compra de ações e que continua presente a reivindicação de 2003 da Nacionalização do petróleo e gás natural, sem indenização”.
Sobre o tema do minério, o documento sustenta que “quase todas as grandes minas do país, com a exceção de Huanuni, estão nas mãos das transnacionais que produzem e exportam deixando ao Estado miseráveis impostos. A mina San Cristóbal, que é subsidiária da transnacional japonesa Sumitomo, produz sozinha 1600 toneladas por dia de concentrados de zinco, prata e chumbo. Seus lucros líquidos são da ordem de bilhões de dólares e deixam para o Estado apenas umas dezenas de milhões de dólares. Da mesma maneira, outras transnacionais exploram ricas jazidas no país sem que o governo coloque um fim a este roubo”.
Este documento propõe a nacionalização das minas nas atuais condições de saque das mesmas por empresas transnacionais, e esta é uma reivindicação fundamental que deve se materializar sem indenização alguma e sob o controle social dos trabalhadores.
Novo Secretário Executivo
Ao concluir o Congresso, no domingo 22 de janeiro, os delegados dos diferentes setores afiliados à COB elegeram a Juan Carlos Trujillo como o novo secretário executivo da organização matriz dos trabalhadores do país. O mineiro foi eleito por aclamação por umas 2 mil pessoas que pertencem a 65 organizações qualificadas para o Congresso.
Nos primeiros comentários a imprensa Trujillo disse: “ser contestadores é o pronunciamento de todo o setor proletário e da classe pobre. Por isso o comitê executivo vai ser contestador com sua própria identificação e independência de classe”. Passado o congresso os trabalhadores devem exigir ao novo executivo da COB que se cumpra com a independência sindical e não fique apenas em discursos.
Além disso, disse que um dos principais objetivos será buscar a unidade dos trabalhadores e manter a linha aprovada no Congresso, e que também reafirma a necessidade de criar um instrumento político dos trabalhadores.
http://lsbolivia.blogspot.com.br/
Tradução: Cynthia Rezende |
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