| Aprofunda-se a crise dos partidos burgueses nas eleições |
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| ITÁLIA |
| Escrito por Francesco Ricci - PdAC |
| Qui, 17 de Maio de 2012 06:25 |
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Publicaremos nos próximos dias uma análise mais atenta do dado político e de como se reflete no resultado das eleições administrativas [Ver Grécia, França, Itália: Só as lutas podem parar o ataque burguês]. Nos limitamos aqui a algumas primeiras rápidas anotações.
A abstenção alta, assim como o sucesso dos candidatos do cômico Beppe Grillo, são um sintoma da crise aguda do sistema político da burguesia, que está perdendo credibilidade não só, e não tanto, por causa dos escândalos que a envolvem, ou pela corrupção que transparece por toda a parte, mas sobretudo porque conduz uma guerra social (os “planos de austeridade”) para descarregar a crise do capitalismo sobre as massas populares.
Em particular, como sempre no sistema de alternância burguesa (como se vê no resto da Europa), as eleições penalizam desde logo os partidos que governaram por último. Neste quadro deve ser lido o verdadeiro e estrondoso desabamento do PDL berlusconiano e da Liga Norte.
Em qualquer caso, não será das urnas (nem dessas nem das próximas eleições políticas) que poderá sair uma solução para os trabalhadores. As próximas eleições políticas, depois do “parentesis” de Monti, assinalarão apenas a passagem do poder entre os dois agrupamentos da alternância [centro direita e centro esquerda], e o próximo governo nacional continuará o ataque aos trabalhadores para recuperar os lucros patronais, como confirma o fato que o governo Monti e a sua política de carnificina social beneficiam hoje da sustentação conjunta do PDL, PD [Partido Democrático, centro esquerda] e “terceiro polo” [Se reivindicam de centro na Itália, mas na verdade centro direita].
A crise dos reformistas, a perspetiva dos revolucionários
A esquerda social-democrata, a SEL [Esquerda, Ecologia e Liberdade] de Vendola e o PRC [Refundação Comunista](este último continua, também no plano eleitoral, a escorregar sempre mais para baixo), preparam-se para sustentar o próximo governo de centro esquerda. Assim, como nestas eleições administrativas, estreitaram alianças de governo praticamente por todo o lado com o PD. A lógica governista desta esquerda, a obsessão pelas cadeiras e tamboretes burgueses que nutrem os grupos dirigentes burocráticos daquela que é chamada de “esquerda radical”, estes não são apenas perdedores mas aparecem, de forma ainda mais grotesca, a frente dos ataques violentíssimos dos governos da burguesia.
O PdAC e o resultado importante de Verona
A verdadeira alternativa, de classe, deve ser procurada fora das urnas. Nós do PdAC, pensamos que a escolha de participar das eleições é meramente tática, por isso, de vez em quando, avaliamos se e como nos apresentamos. Nesta ótica, também nestas eleições participamos com a finalidade única de usar aquele que é um jogo viciado da burguesia e das suas instituições, para dar visibilidade às lutas dos trabalhadores e das classes populares. Nestas eleições administrativas apresentámos candidaturas do partido em Lecce e Verona e o nosso resultado era já positivo antes da abertura das urnas porque, em consonância com a situação, conseguimos dialogar com centenas de trabalhadores e jovens, usando a campanha eleitoral para fazer propaganda de um programa coerentemente revolucionário.
Em Verona, em torno da candidatura de Ibrahima, agrupou-se um setor importante de trabalhadores e, em particular, de trabalhadores do estrato mais oprimido: o dos imigrantes. Essa mesma candidatura ganhou uma grande visibilidade nacional, sendo, nos fatos, a coisa que mais se falou à esquerda nacionalmente.
Por vermos nos números uma questão secundária (conquanto interessados em traduzir a batalha propagandística com uma nova energia militante pela construção do partido revolucionário) devemos assinalar, ao lado da porcentagem na média da extrema esquerda por nós conseguida em Lecce, o dado significativo alcançado pelo nosso candidato Ibrahima Barry, em Verona. Na cidade dominada pela Liga Norte e a direita racista, e descontando o fato que muitos ativistas e apoiantes do PdAC não podiam votar (por se tratarem de imigrantes privados de cidadania); por termos começado a construção da nossa seção local apenas a alguns meses; por apenas termos podido investir na campanha eleitoral algumas centenas de euros recolhidos numa caixa de papel nos piquetes, Ibrahima Barry alcança 0,7%, perto de mil votos (note-se que a Refundação e PdCI, não obstante os meios superiores e a visibilidade mediática nacional, alcançam, juntos, 0,9%). Mil votos em um candidato imigrante, operário, trotskista, e em um programa revolucionário que fala do desabamento do sistema capitalista. É reflexo evidente, mesmo que proveniente do espelho deformado e falso que são as eleições burguesas, pelo menos, de uma simpatia vasta conseguida nesta dificílima (e, até por vezes, arriscada) campanha eleitoral.
As lutas são a perspetiva dos revolucionários
Se, como outros à esquerda do PRC, fossemos interessados no grotesco jogo dos números eleitorais, poderíamos hoje dizer que o PdAC alcança – e na cidade mais difícil - o voto mais alto, em percentagem e números, à esquerda da Refundação. É um fato.
Mas não são para fatos desse tipo que olham os revolucionários. Os fatos que nos interessam são a construção de novas lutas unitárias, dos trabalhadores nativos e imigrantes; o fortalecimento daquele partido revolucionário que ainda não existe e que é indispensável para o desenvolvimento das lutas, sua escala nacional e internacional, numa perspetiva de viragem desse sistema social e político.
Por isso, o primeiro encontro para nós importante é aquele que damos agora em Verona, agora todos com Ibrahima, próximo domingo, dia 13 de maio (em breve publicaremos o cartaz com as indicações); é um apelo que fazemos a todos aqueles que nos apoiaram esses meses e aos quais nos falta fazer juntos um balanço para relançar a luta, apartir do esforço conjunto de fortalecimento, em Verona como em outras cidades, da Alternativa Comunista. Porque a batalha contra todos os agrupamentos burgueses, contra a sua política anti-operária e racista, continua.
Domingo 13, todos a Verona!
Partido de Alternativa Comunista
Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional
Tradução: Rui Magalhães
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