Boletim Eletrônico



A principal tarefa do movimento: lutar pela derrota do golpe retomando o classismo Imprimir E-mail
Qua, 11 de Julho de 2012 00:39
Este novo governo defenderá com mais força que os anteriores os poderosos de sempre, ou seja, os capitalistas da soja, pecuaristas, banqueiros, latifundiários e outros setores empresariais privilegiados.
Qualquer um que acredite, ainda que por um instante, que virão dias melhores para a classe trabalhadora, estará terrivelmente enganado.

O Partido Liberal, ao qual pertence o golpista Franco, se caracteriza pela defesa de aplicação de medidas econômicas liberais, que significam a entrega da soberania nacional ao capital transnacional, violentos ataques à classe trabalhadora e ao povo pobre, seguindo fielmente as ordens do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM).

Já anunciaram que defenderão a propriedade privada latifundiária com duras repressões a quem pretenda “violá-la”, e em pouco tempo começarão a aplicar a política do “arrocho” do Estado com sua carga de privatizações e demissões; maior flexibilixação e precarização do trabalho do que já existe hoje; massivas violações a direitos trabalhistas e sindicais; corte dos gastos sociais no Orçamento Geral de Gastos da Nação e a férrea oposição a reajustes salariais.

Esta é a perspectiva que nos oferece este golpe parlamentar e seu governo.

Derrotar o golpe

Diante disto, a tarefa central neste momento é reposicionar as organizações do movimento de massas, retomando o caminho das lutas e a necessária independência política ante outras organizações estranhas a nossa classe e sua luta.

A consigna principal é derrotar o golpe com a mobilização de todas as organizações campesinas, sindicais, estudantis, populares e os partidos políticos de esquerda, confiando somente nas forças da classe trabalhadora organizada.

A história do movimento social – e em especial os últimos quatros anos de experiência com um governo de colaboração de classes – demonstram com clareza que as mudanças que necessitamos virão única e exclusivamente de nós mesmos, de nossas organizações e pela via da unidade na luta e na mobilização.

É o momento de resistir ao governo ilegítimo a suas políticas de fome e repressivas através das lutas e mobilizações para não permitir que a saída golpista se fortaleça. É o momento de fazer a vida do governo golpista impossível.

Não devemos esquecer os outros poderes do Estado, que tornaram possível este golpe reacionário. As consignas devem abarcar desde ‘Abaixo Franco!’ até ‘Chapas abertas e revogação dos mandatos do Parlamento!’ e ‘Julgamento popular do Congresso e do Poder Judiciário!’, passando por ‘Julgamento político dos membros da Corte Suprema de Justiça!’, sem se esquecer de protestar contra os magistrados e os parlamentares.

Devemos exigir a implementação da reforma agrária, combater o modelo agroexportador baseado na monocultura da soja, que favorece os capitais transnacionais e o agronegócio, lutar pelo confisco de bens ilicitamente obtidos e os latifúndios e pela distribuição de terras aos camponeses. Também devemos determinar com força o respeito irrestrito dos direitos trabalhistas e sindicais e exigir trabalho e moradia digna, educação e saúde gratuita e de qualidade para todos, e respeito à autodeterminação dos povos indígenas, entre outras reivindicações.

Traçaremos ações por menores e simbólicas que sejam – e no princípio, defensivas -, mas com o objetivo de fazê-las crescer até aquelas que são de envergadura e nos possibilitem o combate coerente ao golpe.

É necessário um intenso trabalho na base, organizando encontros, reuniões, mesas redondas, painéis e debates onde se expliquem os efeitos do golpe na vida cotidiana da classe trabalhadora do campo e da cidade, e que se trata de um golpe reacionário que vem para liquidar o movimento de massas.

Nas discussões, não devemos deixar de traçar um balanço do governo de conciliação de classes de Lugo e das esquerdas luguistas, seu nefasto papel desmobilizador de haver contribuído com a assimilação das organizações de classe pelo Estado e pelo regime burguês.

Também devemos tirar a conclusão do catastrófico fracasso que significou a política do “poncho juru” [Política de Lugo de conciliação de classes] para o movimento social.

A única possibilidade que tem o movimento de massas de enfrentar com êxito o golpe e confiar nas forças do classismo e no método da luta direta.

Fortaleçamos a Alternativa da Classe Trabalhadora

A conjuntura eleitoral entrou em convulsão com o golpe parlamentar, moveu-se o tabuleiro político, mas as alternativas seguem sendo essencialmente as mesmas. Por um lado, os partidos da burguesia, que provavelmente se dividirão em torno dos dois partidos tradicionais, o Partido Colorado e o PLRA. Este último buscará encabeçar uma aliança com o PPQ, o UNACE e o PDP, partidos que apoiaram o golpe parlamentar. São dois setores para um mesmo projeto.

Todos eles já demonstraram na história e nos fatos recentes serem profundamente antidemocráticos e capazes de tudo para manter sua propriedade e privilégios. Durante suas campanhas prometem, enganam para cativar os setores populares na época eleitoral, para logo governar para os patrões e latifundiários.

Como parte desse continuísmo está a Frente Guasu [Frente Ampla de Lugo], ainda que desconcertada por haver sido excluída pelo seu aliado estratégico, o conservador PLRA. Foi vergonhosa a prostração programática e política durante os anos do governo Lugo/PLRA, que, por cargos, acumulação sectária e regalias, se atiraram gentilmente aos braços do programa burguês do neoliberalismo com assistencialismo.

Hoje mantém sua determinação de voltar a reeditar a proposta de amarrar-se a Lugo, agora, quem sabe, encabeçando a lista de Senadores, e com um programa de conciliação de classes igual ao que sustentaram durante o governo do ex-bispo, governo e programa que mostraram ser equivocados.

Alternativa

Diante do avanço do golpismo e da direita ou da refritada da Frente Guasu, nasceu a Alternativa da Classe Trabalhadora como uma opção que busca promover e defender os direitos e interesses da classe trabalhadora do campo e da cidade, apoiando, promovendo e acompanhando as mobilizações contra o golpe, e por uma vida digna, levantando as bandeiras do classismo, as bandeiras do socialismo. Dessa Alternativa da Classe Trabalhadora, da qual faz parte o PT, sustentamos que, com a organização e mobilização, devemos exigir a urgente convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, democrática e soberana, que reorganize nossa nação sobre novas bases, e que assegure terra, trabalho, soberania e liberdade para todo o povo paraguaio.


A grande lição do desenlace do Governo de Lugo/PLRA, é que o voto e o apoio da grande maioria do povo trabalhador não serviram para a melhoria da qualidade de vida, não respeitou os direitos dos trabalhadores, não se realizou a reforma agrária, não foi o primeiro passo ao socialismo, não representou maiores liberdades e democracia, já que reprimiu o movimento de massas, e propiciou a aprovação da Lei antiterrorista.

Nos fatos, Lugo e a Frente Guasu utilizaram seu prestígio inicial para desmobilizar e terminar desmoralizando o movimento e contribuindo enormemente para o fortalecimento da direita e da minoria proprietária. Cumprida esta nefasta missão, a burguesia opta por descartá-los e assumir novamente de forma direta e sem intermediários o controle do aparato estatal.

Isto nos demonstrou que não foi um voto útil para os interesses do povo trabalhador. O único voto verdadeiramente útil é aquele com que se fortalece uma alternativa que levanta um programa classista e socialista.

Tradução: Valéria Lezziane Santos

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