| Não ao pacotaço de Rajoy! |
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| ESTADO ESPANHOL |
| Escrito por Corriente Roja |
| Ter, 24 de Julho de 2012 04:28 |
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Após a marcha dos mineiros, precisamos de outra greve geral já!
O dia 11 de julho concentrou em Madri dois fatos fundamentais que marcam a situação política e nos colocam em uma nova conjuntura O primeiro é a “Marcha Negra” dos mineiros, que terminou com um impressionante apoio social em manifestações massivas, gritando "Madri operária apoia os mineiros" e enfrentaram uma repressão policial severa. O outro fato foi o discurso de Rajoy, o lacaio de Merkel, da EU (União Europeia) e do FMI, anunciando no Congresso dos Deputados um novo e brutal plano de ajuste (65 bilhões de euros em dois anos), definido pela UE em troca de salvar os bancos espanhóis (ou melhor, para salvar os seus credores, os bancos alemães, franceses e outros).
Um plano de ajuste selvagem e uma intervenção no país a favor dos bancos
Enquanto os mineiros e o povo trabalhador de Madri manifestavam, Rajoy anunciava as novas e selvagens medidas de guerra social, o maior plano de ajuste conhecido até hoje: aumento geral do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) e outros impostos indiretos, a eliminação do subsídio de Natal e outros ataques contra os salários e o emprego público, cortes de prestações e dos subsídios de seguro desemprego, um outro golpe à lei dos dependentes, novo ataque às Comunidades Autônomas, redução das contribuições patronais para a Seguridade Social...
O pacotaço de Rajoy foi ditado pela UE e significa um país sob intervenção, embora ainda sem uma intervenção formal da Troika (UE, Banco Central Europeu e o FMI), que transformaria os ministros em meros garotos de recado. Mas o controle do sistema bancário espanhol pelo BCE (ou, o que equivale na prática ao Bundesbank alemão) e as medidas de ajuste de Rajoy, não se diferenciam em nada das medidas impostas pela Troika em Portugal e na Grécia, nestes últimos dois anos. Na verdade, para os trabalhadores e o povo, não há diferença entre uma ou outra intervenção da Troika.
As medidas são a contrapartida ao resgate dos bancos e têm como objetivo garantir que os bancos europeus recebam as dívidas dos bancos espanhóis e que tanto os banqueiros europeus como os espanhóis cobrem do Estado a Dívida Pública que eles detêm os títulos e da qual eles são os principais responsáveis. O pagamento desta Dívida Pública ilegítima foi transformado em "prioridade absoluta" pelo PP e PSOE na reforma da Constituição feita a toque de caixa no ano passado.
Fomos colocados numa espiral à grega
O pacotaço de Rajoy e a intervenção da Troika nos colocam numa espiral à grega. Todo mundo sabe que as medidas aprovadas, com o país em plena recessão, vão significar um retrocesso gravíssimo na economia que nos levará a 6 milhões de desempregados em poucos meses, tornando a redução do déficit inviável e que irão aumentar ainda mais uma dívida impossível de ser paga.
Os "mercados" (ou seja, os grandes bancos e fundos de especulativos, e o próprio BCE, incentivados pelo governo alemão) já deixaram claro, dois dias após o anúncio de Rajoy, que não vão afrouxar os "juros da dívida".O presidente do Bundesbank (o banco central alemão) também não precisou de mais tempo para exigir publicamente que o governo espanhol pedisse a intervenção formal da economia espanhola e entregasse, para todos os efeitos, o comando para a Troika.
Rajoy quer adiar esse cenário as nossas custas e está preparando uma manobra brutal, que consistirá numa taxação selvagem às pensões e ao seguro-desemprego, e inclusive na redução de uma semana das férias anuais (uma espécie de "presente pessoal" para Merkel).
Este é o destino que estão preparando para nós: um retrocesso de 50 anos nos direitos e nos padrões de vida, o empobrecimento geral e a miséria para milhões e a transformação do país em uma espécie de semicolônia de novo estilo. Um destino do qual os grandes bancos e grandes empresas espanholas e o governo são cúmplices necessários e beneficiários, que só aspiram continuar fazendo a rapina aqui [Estado Espanhol] e na América Latina.
Um governo fantoche, desacreditado e isolado. Fora Rajoy e a Troika
O enorme apoio popular para os mineiros ajudou a prejudicar ainda mais a perda da credibilidade de Rajoy e a afundar a sua legitimidade em apenas 6 meses de mandato. Provocou inclusive uma crise no próprio PP entre os seus representantes nas regiões da mineração. As novas medidas de choque geraram confrontos na cúpula, entre os governos central e regionais que controlam. Tudo isso, aliás, não passa de um reflexo de como eles dividem a base social de pequenos e médios empresários e profissionais liberais que lhe deram apoio eleitoral e que agora estão condenados a ruína.
O apoio sem vergonha de personagens como Duran e Lleida, em nome da direita catalã da CiU (Convergência e União), longe de fortalecer, enfraquece o Governo de Artur Mas que se vangloria de ser o aluno superior de Merkel e o campeão nos cortes.
A vergonhosa cumplicidade de Rubalcaba em nome do PSOE, também não fortalece Rajoy. Rubalcaba convoca uma "oposição responsável" e pede um "pacto de unidade nacional" a Rajoy para implementar as medidas ditadas pela UE. Esta atitude do PSOE leva a um descrédito ainda maior frente ao povo trabalhador e deixa claro que é um partido amigo dos banqueiros, parte orgânica deste regime corrupto e corresponsável pela situação atual.
Já Basta! Fora Rajoy e a Troika!
Após a “Marcha Negra”, organizar uma greve geral!
Unificar os mineiros, funcionários públicos e todas as lutas, já!
A luta heroica dos mineiros, com eles e suas esposas à cabeça, com a greve por tempo indeterminado, com os protestos trancados nos poços, com a resistência nos vales, a “Marcha Negra” e a recepção impressionante que teve em Madri, tornou-se um exemplo e referência central para a classe trabalhadora em todo o estado, gritando "a luta do mineiro, orgulho do operário."
A “Marcha Negra” acendeu a indignação popular contra um governo que não hesita em condenar regiões inteiras à morte para apaziguar a UE e favorecer as negociatas de grandes empresas elétricas, dominadas pelos bancos e pelos fundos de investimento estrangeiros. O governo, descumprindo o pacto assinado, fez um corte de 200 milhões no subsídio para o carvão, enquanto deu de presente às construtoras de autopistas radiais de Madri um valor maior para evitar que perdessem dinheiro. Ou enquanto enterra, somente na Bankia, 23,5 bilhões para "socializar" as perdas. "Não falta dinheiro, sobram ladrões!"
O marco da “Marcha Negra” e a resposta às medidas brutais do Governo nos obriga a dar um novo passo adiante: mantendo viva a solidariedade com os mineiros e solidariedade com todas as lutas, especialmente a dos funcionários públicos, selvagemente atacados pelo Governo. É necessário trabalhar com determinação para organizar uma próxima greve geral para que possamos responder juntos, a partir das minas, dos estabelecimentos públicos, fábricas, universidades e institutos, os bairros e povoados aos planos de guerra social do Governo e da Troika.
É necessário manter viva a solidariedade com os mineiros para exigir a suspensão imediata de todos os encargos para as dezenas de mineiros que foram presos esta semana e estão sob julgamento, para que o Governo cumpra o compromisso assinado e para apresentar uma saída duradoura e estável para garantir o futuro, mediante a nacionalização de toda a mineração de carvão sob controle operário.
As lutas em curso têm de ser unificadas
É necessário exigir a todos os sindicatos, e principalmente os que têm maiores responsabilidades, CCOO (Comissões Operárias) – UGT (União Geral de Trabalhadores), que assumam a tarefa de organizar unitariamente uma greve geral para derrotar Rajoy. Devemos dizer para Toxo e Mendez [secretários-gerais das CCOO e da UGT] que eles não podem manter esta política de apaziguamento com o Governo e de isolamento das lutas entre si.
A greve geral não pode ser uma mera greve de protesto, sem continuidade. Ela deve ser controlada democraticamente pela base, em assembleias gerais para decidir as reivindicações, sua duração e o curso da luta. Uma greve geral que inclua entre suas demandas, as reivindicações dos mineiros, o freio à repressão policial, a retirada dos ataques aos funcionários públicos e aos desempregados e a todo o pacotaço de Rajoy, a revogação da reforma trabalhista e das pensões, nem um euro para os bancos, a suspensão imediata do pagamento da dívida aos banqueiros e especuladores, fora o Governo Rajoy e a Troika.
Porém enquanto exigimos, não devemos ficar paralisados. Pelo contrário, temos de ir levantando paralelamente a alternativa à burocracia sindical da CCOO- UGT, como nos ensinou os companheiros do HQPLP (Hay que Pararles los Pies) de Madri, ao participar de forma unitária de todas as manifestações convocadas para receber os mineiros, mas também organizar, em frente única com muitas assembleias do 15M e centros sociais, uma manifestação que reuniu 25 mil pessoas, onde se pode ouvir a voz dos mineiros e não apenas da burocracia sindical, avançando na construção de uma frente única entre aqueles que querem lutar e derrotar este governo e seus planos de guerra social contra nós.
Temos de trabalhar para formarmos nas manifestações de 19 de Julho um bloco de classe alternativo à burocracia da CCOO-UGT.
É fundamental uma frente única entre todo o Sindicalismo Alternativo e os Movimentos Sociais para que possam ser uma alternativa à burocracia sindical para unificar as lutas de verdade, com democracia e determinação, para poder vencer e derrotar o governo.
Precisamos romper com a UE do capital e necessitamos de um plano de resgate dos trabalhadores
O caminho para derrotar o Governo é o da luta e o de propor um plano de resgate dos trabalhadores e do povo. Então, nós não concordamos com a IU (Izquierda Unida), que subordina a sua resposta à burocracia da CCOO- UGT e não teve escrúpulos em se aliar com o PSOE no governo andaluz para aplicar “por força da lei” os planos de Rajoy contra o povo trabalhador. Sua grande "esperança" frente a Rajoy é que o PP perca nas próximas eleições. Porém as eleições não só estão muito longe, mas também é muito improvável que seu sonho de um governo PSOE-IU mudaria algo. Pois eles nunca romperiam com a Troika e, como agora, na Andaluzia, não teria outra escolha senão continuar com os planos de empobrecimento do povo.
Na verdade, não há saída alguma para a classe trabalhadora dentro do Euro e da UE. Nos chantageiam, dizendo que fora do euro, o inferno nos espera. Mas a cada dia que ficamos no euro, os sofrimentos aumentam, em um beco sem saída que nos leva à catástrofe. Por isso, quanto mais cedo sairmos, melhor. Só por fora do Euro e da UE dos banqueiros, é que vamos construir uma nova sociedade sobre bases novas e lutar com nossos irmãos europeus para construir uma Europa dos Trabalhadores e dos Povos.
Comitê Executivo da Corriente Roja
Tradução: Mariana Caetano |
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