| Uma multidão toma as ruas contra o pacotaço de Rajoy e da Troika |
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| ESTADO ESPANHOL |
| Escrito por Corriente Roja |
| Qui, 02 de Agosto de 2012 12:26 |
Multidões tomaram as ruas, em mais de 80 cidades do Estado Espanhol, no último dia 19 de julho. “Rajoy demitido” foi uma das palavras de ordem mais agitadas.
Em Madri, os números variam. Dirigentes de CCOO e UGT falam em 800 mil manifestantes. Para o sindicalismo alternativo, que chamou a conformação de um bloco crítico nesta manifestação, do qual participaram vários sindicatos
, e alguns importantes setores do funcionalismo, como os trabalhadores da Casa da Moeda, servidores de Assuntos Sociais da Comunidade de Madri, de Prefeituras como a de Torrejón... Ou uma coordenação de hospitais de Madri, que estão em luta pela defesa da Previdência Pública e se organizam por fora dos sindicatos majoritários.
Segundo a avaliação de Ángel Luis Parras, da CO.BAS e da Corriente Roja, a manifestação se parecia em tamanho a algumas daquelas que ocorreram contra a Guerra do Iraque. Ou seja, em Madri reuniu-se entre 400 mil e meio milhão de pessoas. Uma multidão que parou Madri. O Bloco Crítico, do qual participou Corriente Roja, teve uma grande e, seguramente a mais animada e combativa coluna da manifestação. Ao final da manifestação, uma trabalhadora da Casa da Moeda e um trabalhador de Assuntos Sociais da Comunidade de Madri dirigiram palavras ao Bloco conformado.
As manifestações refletiram e canalizaram ainda mais o descontentamento da população. Nelas se conformou uma grande unidade de ação entre todas as organizações dos trabalhadores e do povo, já que foram convocadas pela burocracia, que segue muito desgastada e tenta readequar-se, para ver se consegue vincular-se ao processo e cavalgá-lo ou voltar a ter maior controle em um processo que se encaminha para uma crise social. A autodeterminação é grande e a burocracia, que não morreu ainda, não tem mais o controle que tinha anteriormente. Em Barcelona, por exemplo, a população, quando passava pela sede da CCOO, parava e assobiava. Por outro lado, Rajoy aprovou seus cortes no parlamento unicamente com os votos de seu partido, o PP.
Em Barcelona, os meios de comunicação falam em 400 mil nas ruas e “Rajoy demitido” foi uma das palavras de ordem mais agitadas. Corriente Roja organizou aí uma grande coluna e teve uma atuação muito importante. Em Sevilha, outra manifestação de massas. A coluna de Corriente Roja teve nesse caso um privilégio, contar com uma delegação de mineiros das Astúrias, que ajudou a fazer uma enorme coluna e muito, muito combativa e classista.
Que se danem eles! Rajoy demitido... Greve geral!
“Que se danem eles”, dizia um cartaz da CO.BAS. “O próximo desempregado, que seja um deputado”... ”Fora, Oe, Fora, oe”... “Sua dívida nós não pagamos”... “não falta dinheiro, sobra ladrões”, “a crise que a paguem os capitalistas”, agitava a população.
Andrea Fabra, claro! Nesses dias é um dos personagens que concentra um grau altíssimo de fúria da população, já que simboliza muito bem a classe dominante e os políticos de hoje.
A Fabra, a Fabra,
a merda de Fabra, a mãe que o pariu, queremos ver à Fabra com seu pai na prisão
Além de “Rajoy demitido, por fascismo e ser safado” e “Oe, oe, oe, oa, a Toxo e Mendez queremos perguntar, quantos cortes precisamos mais para convocar outra greve geral” os manifestantes agitavam com muita gana “Itália, Grécia, Espanha e Portugal, a classe operária é internacional”.
Somos a polícia do povo, não dos políticos!
Uma novidade desta manifestação foi a presença de muitos policiais apoiando, agitando palavras de ordem antigoverno e anticapitalistas.
Muitos deles estavam na coluna em que ia o Bloco Crítico e levavam cartazes que diziam “somos policiais do povo, não dos políticos”, refletindo e confirmando que há um mal-estar na polícia, tanto nacional como municipal, além de outras, como se expressou com clareza no episódio em que quase cem caminhonetes da polícia foram sabotadas e amanheceram com os pneus furados, dentro do pátio policial de Morataláz em Madri.
Os bombeiros são nossos companheiros
Se Andrea Fabra junto com Rajoy são os mais odiados, os mineiros e os bombeiros são os mais queridos pela população. Os mineiros pela determinação de sua luta, por seus métodos radicalizados e os bombeiros porque foi a vanguarda em Madri nas manifestações espontâneas destes dias, estando à frente dos confrontos com os antidistúrbios, em defesa dos manifestantes. Na manifestação de Madri, eles passeavam com um grande helicóptero de cartolina entre os manifestantes, que os aplaudiam ou agitavam “os bombeiros são nossos companheiros”.
Em Barcelona, os bombeiros puseram-se entre a polícia catalã (conhecida como Mossos) e a população, protegendo-os da carga, e a polícia disparou contra eles, de fato banharam de espuma a frente da estação da França.
Os mineiros, que sofreram uma repressão enorme na madrugada anterior, não foram esquecidos. “Madri operária, apoia os mineiros” voltou a estar presente às ruas em diversos momentos.
E agora? É necessário convocar outra greve geral!
É necessária outra greve geral, quiçá de 48hs, construída pela base, com assembleias e democracia, para que haja continuidade e possa ser indefinida, inclusive, se for necessário.
Este governo dos banqueiros e da Troika não vai parar, está determinado a cumprir com o que quer a União Europeia do capital, ou seja, saquear os trabalhadores, o povo e o país para pagar a dívida “pública”, que não é nossa. É dívida dos bancos, que o Estado assumiu e transformou em um negócio a mais do sistema financeiro, pagando-lhes juros de agiota e levando todo o país à ruína.
Este governo está isolado, representa o sistema financeiro e a troika...chegou a hora de levantar Rajoy demitido.
Por uma frente única do sindicalismo alternativo e dos movimentos sociais
Defendemos a unidade de ação com todos os dispostos a lutar e sempre que a própria burocracia chame às lutas, estaremos juntos. Mas, sabemos todos, que é necessário construir uma alternativa à burocracia sindical, para que possamos vencer as lutas, para que não terminem em pactos e negociações em que os prejudicados são sempre os trabalhadores.
As diferenças da burocracia e do PSOE com o PP são pequenas, já que todos eles defendem seguir na UE, sob a Troika, e seguir pagando a dívida aos banqueiros.
É possível e necessário construir um Encontro Nacional de Base unificando os movimentos sociais, o sindicalismo alternativo e todos os que queiram lutar até o fim.
Por um plano de resgate dos trabalhadores. Por um governo operário e popular.
Porque é necessário lutar para que este governo caia e defender um governo operário e popular, apoiado na luta dos trabalhadores e do povo e comprometido com um plano de resgate dos trabalhadores, o que exige suspender o pagamento da dívida aos banqueiros, romper com a UE do capital e com a troika, expropriar o sistema financeiro e as indústrias chaves e reordenar a economia para um planejamento democrático.
Tradução: Érica Andreassy |
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